— O que você vai fazer com Henrique se o encontrar?
Ele não responde de imediato, e isso já me diz muito.
— Quando eu o encontrar ele corrige, sem tirar os olhos da estrada.
— Certo. Quando você encontrá-lo. O que vai fazer?
Luciano me lança um olhar rápido, daqueles que passam e voltam para a frente antes mesmo de eu conseguir decifrar tudo. Ele muda a marcha com força, o carro avança no dobro do limite permitido.
— Nada com que você precise se preocupar.
Suspiro, sentindo um peso conhecido se acomodar no meu peito.
— Você percebe que essa é a sua resposta padrão, não percebe?
— O quê?
— Você nunca me diz nada. Nem sobre a Felicia, nem sobre o meu pai, nem sobre o Rulli… e agora sobre o Henrique. Minha voz sai mais firme do que eu esperava. Ele ainda é meu irmão, Luciano.
— Meio-irmão ele corrige, seco.
— Eu não estou dizendo que ele não deve ser punido, mas… paro no meio da frase, uma imagem horrível atravessando minha mente, a lembrança da casa, do sangue, do cheiro metálico que