Os olhos de Ruth se arregalam em total descrença. É um olhar que mistura choque, negação e um medo que ela ainda tenta esconder atrás da postura firme.
— Daniel teria me dito se isso fosse verdade.
A voz dela sai trêmula, mas ainda defensiva. Como se dizer aquilo em voz alta fosse a única forma de se agarrar a alguma normalidade.
— Ele não te contou porque não quer que ela tenha o bebê — eu respondo, sem rodeios.
As palavras caem pesadas no ar. Duras. Diretas. Cruéis. Ruth fica completamente imóvel por alguns segundos. Fica sentada, os dedos crispados sobre o colo, me espiando de lado várias vezes, como se tentasse me decifrar. Vejo claramente quando ela começa a processar tudo. Quando tenta separar o que é verdade do que é mentira. Quando tenta decidir se pode confiar em mim… ou se ainda prefere acreditar no próprio irmão.
— Eu não tenho motivos para mentir pra você — eu digo, a voz firme, mas o peito ardendo. — Eu não sou um homem que precisa mentir. Eu posso te dizer coisas que voc