As horas se arrastam de um jeito cruel. Lentas demais. O tempo aqui dentro não passa, ele rasteja. Em algum momento, dois dos homens saem com um dos carros. Ouço o motor se afastando, o portão rangendo, depois o silêncio pesado voltando a tomar conta da casa. Fico sozinha com o outro, minha respiração curta, o corpo exausto, os pulsos ardendo num tipo de dor que nunca se acostuma.
O cansaço vai me vencendo aos poucos. Minha cabeça pende. Meus olhos pesam. Eu cochilo sentada, com o corpo torto, o coração ainda em alerta, como se dormir fosse um risco.
Até que ouço.
A porta de um carro se abrindo.
Depois se fechando com um baque seco.
O susto me desperta na hora. O coração dispara. Caminho até a janela o mais rápido que consigo, mas quando chego, quem quer que tenha chegado já está dentro da casa.
Um frio corta meu estômago.
Será que é o médico?
A pergunta ecoa como uma sentença. Um pânico difuso toma conta de mim. Minha mente corre para o passado. O Dr. D’Lucca. A injeção anticoncepci