Ainda estou tremendo horas depois que Luciano saiu do quarto. Parece que o ar do hospital ficou preso dentro dos meus pulmões, como se eu tivesse esquecido como se respira. Eu sinto frio mas não é aquele frio físico, de vento batendo na pele. É outro tipo. É o frio que entra por dentro, que se espalha devagar, como água gelada vazando pelas rachaduras do peito.
E por mais que eu tente, não consigo parar de repetir a mesma pergunta na cabeça. Uma pergunta que dói só de existir:
Ele só se casou