Ainda estou tremendo horas depois que Luciano saiu do quarto. Parece que o ar do hospital ficou preso dentro dos meus pulmões, como se eu tivesse esquecido como se respira. Eu sinto frio mas não é aquele frio físico, de vento batendo na pele. É outro tipo. É o frio que entra por dentro, que se espalha devagar, como água gelada vazando pelas rachaduras do peito.
E por mais que eu tente, não consigo parar de repetir a mesma pergunta na cabeça. Uma pergunta que dói só de existir:
Ele só se casou comigo para me manter sob o controle dele?
Para me ter dentro da casa dele, presa, disponível, como se eu fosse uma peça do arsenal dele? Só mais um objeto útil da Facção?
A resposta?
Eu nem preciso pensar.
Eu já sei.
“Seu corpo será um hospedeiro saudável para o meu filho.”
Essas palavras continuam ecoando na minha cabeça, como se ele ainda estivesse aqui, como se estivesse repetindo aquilo contra a minha pele. E dói. Dói de um jeito que eu não sei explicar. Ele não disse “nosso filho”. Ele não