— Por favor… eu não posso voltar. Eu juro que não posso. Eu prefiro morrer sussurro, limpando os olhos com as costas da mão como uma criança assustada tentando se recompor antes de alguém perceber a fraqueza.
Meu peito está apertado, doendo, como se alguém estivesse amassando minhas costelas por dentro. É humilhante me ouvir implorando desse jeito, mas é a única verdade que tenho: se eu voltar para Luciano agora, grávida e fraca como estou, eu sei que não saio mais de lá. Ele vai me trancar. Vai me sufocar. Vai me quebrar de um jeito que não tem volta.
Henrique respira fundo do outro lado da linha.
— Só… me dá um pouco de tempo, Rosália. Ele parece pensar rápido, preocupado, mais do que imaginei que ficaria. Posso te ligar de volta nesse número?
Olho para a porta, olho para a cama, para a prateleira onde a enfermeira deixou o crachá… tudo parece perigoso.
— Eu acho que não. A enfermeira…
— Tá. Ele solta o ar, irritado. Eu vou dar um jeito. Vou descobrir alguma coisa.
— Como? Pergu