Felicia está sentada ao piano quando eu entro, como se o mundo inteiro dela coubesse naquele banco estreito e naquele enorme teclado. O corpo dela balança suavemente, seguindo o ritmo que os dedos arrancam das teclas com uma precisão que só existe depois de anos ou até mesmo décadas de estudo e disciplina.
A música que ela toca é um misto estranho de beleza e brutalidade. Tem momentos de doçura, quase uma carícia no ar, mas logo em seguida vem uma pancada emocional que quase rasga o ambiente.