Amara
A biblioteca tinha cheiro de papel que lembra chuva e de silêncio que sabe segredos. Eu vinha buscando refúgio entre as prateleiras desde criança, naquela manhã, buscava armadura. A coletiva havia virado a cidade de cabeça para cima. Me chamaram de “parceira”, “musa”, “fachada” e “perigo”. Eu precisava de um lugar onde as palavras não me usassem.
Passei os dedos pelo lombo de um volume antigo sobre mitos urbanos, outro sobre heráldica, um terceiro que me encarou com uma lua gravada na lom