Amara
A casa tinha respirado mal a noite inteira. Acordei com a sensação de que alguém batia à porta por dentro das paredes. Damian saiu cedo, um bilhete curto na mesa:
— “Reunião externa. Volto à tarde. — D.”
O silêncio que ele deixou não era vazio, era campo minado.
Vesti um moletom, prendi o cabelo e desci para a biblioteca, movida por uma inquietação que não entendia.
A sala sempre me pareceu um tribunal antigo, estantes altas, madeira escura, um cheiro de papel que guardava vozes. As jan