Amara
As peças, que vinham se arrastando há dias, se alinharam com uma nitidez dolorosa: o brilho âmbar, as marcas no piso, as camisas rasgadas, o uivo distante, a fome no seu olhar, o cuidado feroz que às vezes parece crueldade.
— Você tem medo de eu descobrir, — conclui, e doeu admitir. — Mas tem mais medo de eu não ficar quando descobrir.
Ele respirou como quem sobe à tona depois de tempo demais debaixo d’água.
— Sim.
Fiquei muda um instante. Minha pele lembrou as marcas no meu pescoço de um