Mundo ficciónIniciar sesiónNa cama, Ava se revira, incapaz de pegar no sono. A cena de Hector saindo apressado do quarto, como se estivesse escapando de algo, continua a ecoar em sua mente, perturbando-a. Ela realmente não queria que ele fosse embora, não após ter visto nas fotos o quanto eles pareciam felizes juntos.
Ela desejava poder passar a noite inteira conversando com ele, descobrindo como se conheceram, como foi a primeira conversa, o primeiro beijo. Quem havia tomado a iniciativa primeiro? Tudo ainda parecia tão novo e, ao mesmo tempo, provocava uma agitação interna que ela não conseguia acalmar.
Doris havia passado no quarto mais cedo para ajustar sua medicação e depois mencionou que estaria na cozinha caso ela precisasse de algo.
Frustrada pela insônia e impulsionada por uma curiosidade crescente, Ava decide se levantar e explorar a casa. Desde que despertou do coma induzido, ela se limitou a ficar somente no quarto e sentia que conhecer outros espaços poderia, quem sabe, ajudar a desencadear alguma memória adormecida. Com esse pensamento, ela se levanta e, com cuidado, ajusta o cateter preso em seu braço — um lembrete constante de sua vulnerabilidade —, e abre a porta do quarto lentamente, adentrando ao silêncio desconhecido da casa.
Ava anda devagar pelo corredor, que parece não ter fim, com portas de todos os lados. Ela dá uma olhada em cada uma, morrendo de curiosidade sobre o que tem atrás delas, mas sem ter ideia de nada. O lugar tem uma aura meio estranha e misteriosa, devido a todas as sombras esticadas pelo chão.
O corredor está meio escuro, e só tem uma luzinha amarela fraca bem no final, que mal dá para iluminar direito. Essa luz fraca deixa tudo com um ar ainda mais misterioso.
Enquanto caminha, o silêncio é tão intenso que dá para ouvir até o eco dos próprios passos no piso. Ela segue em frente, guiada pela esperança de achar algo que faça sentido ou que ajude a juntar as peças do quebra-cabeça da sua memória.
Quando finalmente chega ao final do corredor, se depara com uma escada que desce para outro nível da casa. A iluminação por ali também é bem fraca, mas Ava percebe que no fim da escada tem uma luz escapando de um cômodo próximo. Sua curiosidade aumenta ao ver aquele brilho convidativo vindo da porta entreaberta.
Ela sabe que deveria pegar leve com seu corpo e evitar esforços, especialmente depois de tudo pelo que passou recentemente, mas algo sobre aquela luz no final da escada capta sua curiosidade e puxa sua atenção irresistivelmente. Ava hesita por um momento, ponderando se deve ou não descer, mas a vontade de descobrir o que está lá embaixo é mais forte.
Decidida, começa a descer os degraus lentamente, segurando-se no corrimão para equilibrar cada passo. A cada degrau que desce, se aproxima mais daquela luz misteriosa e a expectativa só aumenta, esperando que lá embaixo possa encontrar alguma coisa que ajude a clarear não só o caminho, mas também as coisas que ela não consegue lembrar.
Ao chegar ao final da escada e espiar pela porta entreaberta, ela vê Hector ali, sentado num sofá, iluminado só pelo brilho da TV. Mesmo de longe, ele tem um jeito naturalmente elegante e um charme que chama a atenção. Ela para por um segundo, simplesmente admirando-o. A luz da TV cria sombras que realçam os traços dele, deixando-o ainda mais interessante aos olhos dela.
Enquanto Hector está ali, perdido na tela, sem notar que está sendo observado, Ava se sente meio hipnotizada. Cada movimento dele, cada pequena mudança na expressão do seu rosto, a faz sentir uma mistura de emoções — admiração, curiosidade e até uma pontinha de desejo.
Parada ali na porta, Ava se pega pensando em todas as coisas que eles devem ter vivido em todos os anos que conviveram juntos. O único som que quebra o silêncio é a TV, que está ligada num volume bem baixinho.
De repente, a curiosidade toma conta dela sobre o que exatamente está passando na televisão, que consegue capturar toda a atenção de Hector a ponto de ele nem notar sua presença. Silenciosamente, ela ajusta sua posição para ter uma visão melhor da tela. Quando finalmente consegue ver o que está sendo exibido, percebe que é um noticiário. Isso até poderia ser algo normal, mas o que realmente a deixa perplexa é ver sua própria imagem na tela.
Ava vê as imagens de um veículo sendo retirado da água na televisão, então ela presume que se trata de uma cobertura do seu acidente, o que só aumenta sua necessidade de ouvir o que está sendo dito. Então, a tela muda para a imagem de um homem — que parece ter a mesma idade de Hector.
O homem na televisão está visivelmente abalado, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Enquanto ele chora, diz alguma coisa para o repórter que o entrevista, mas o volume baixo da TV a impede de captar qualquer palavra.
Decidida a não perder mais nenhum detalhe, Ava tenta se aproximar mais. Todavia, por estar meio distraída com tudo que está acontecendo, não vê uma mesinha de canto bem ao lado da porta. Sem querer, esbarra na mesa, fazendo um barulho que ecoa pelo silêncio da sala. Um vaso em cima da mesa balança, ameaçando cair, mas felizmente fica no lugar.
No entanto, o barulho faz Hector virar a cabeça rapidamente e notar a presença dela ali. Surpreso com o que vê, a expressão dele muda na hora e, num pensamento rápido, pega o controle remoto e desliga a TV.
— Ava, o que você está fazendo aqui? — pergunta, com os olhos assustados.







