12: Mentiras e verdades

— Ava, me responde! O que você está fazendo aqui? — Hector pergunta com uma voz grave que ecoa pelo cômodo um pouco mais alto do que deveria.

Sua surpresa é óbvia e Ava nota um traço de pânico em seus olhos.

— Por que você desligou a TV assim que me viu? — Ela indaga, cruzando os braços, sentindo que algo não está certo.

— Ah, eu desliguei porque te vi entrando… — Hector começa, claramente lutando para encontrar uma desculpa plausível.

— Então liga de novo, por favor? — Ela pede, movendo um passo em direção a ele, demonstrando estar curiosa. — Quero ver o que estava passando, e especialmente, também quero saber sobre aquele homem que estava chorando na tela.

— Não, eu não posso fazer isso — Hector responde rapidamente, enquanto a expressão no seu rosto se endurece.

— Por que não? — Ava desafia, sentindo sua frustração nascer. — Por que você não quer que eu veja?

— Porque isso não é bom para você — ele solta, tentando mascarar a verdadeira preocupação.

Antes de continuar, ele faz uma pequena pausa.

— Não quero que você veja o que estava passando ali, pelo menos, não agora. É pesado demais.

Sua resposta alimenta ainda mais a curiosidade de Ava, deixando-a com uma sensação de que ele está escondendo algo realmente importante.

— Por favor, Hector… — insiste.

— Eu já disse que não! — Dessa vez, a voz dele sai mais firme. — Você precisa descansar a sua mente, hoje já foi um dia muito cheio para você — explica.

— Mas… e aquele homem na TV? Ele parecia muito abalado. Quem é ele? — Ava não consegue esconder sua curiosidade, focando no homem claramente perturbado que havia visto.

Sentindo que precisava de uma resposta rápida para evitar mais questionamentos, Hector decide improvisar uma explicação rápida.

— Ele foi uma das testemunhas do acidente. Aquele homem viu seu veículo caindo do desfiladeiro — responde brevemente, tentando parecer convincente.

— Mas ele parecia tão emocionado, como se fosse alguém próximo… — Ava retruca, ainda não completamente convencida pela explicação.

— Ele estava comovido porque presenciou tudo de muito perto. Ver um acidente como o seu de perto pode deixar qualquer um abalado — Hector explica, esperando que isso acalme a curiosidade dela por enquanto.

— Tudo bem, eu entendo — responde, ainda um pouco desconfiada, mas decidindo aceitar a explicação dele por ora.

A ideia de que uma testemunha pudesse ter ficado tão afetada simplesmente por ver o acidente fazia sentido, de alguma maneira, mas não a convencia totalmente, porém, demonstrar novamente que não acreditava no que ele dizia seria um erro muito sério que ela não queria cometer naquele momento.

Percebendo a hesitação dela, Hector decide tranquilizá-la, planejando uma maneira de lidar com a situação de forma que ela se sinta confortável.

— Quando você estiver se sentindo melhor, faremos do mesmo modo como fizemos com as fotos. Vamos nos sentar juntos e assistir às notícias sobre o seu acidente — ele sugere gentilmente. — Não quero te sobrecarregar com isso agora.

Ava assente, apreciando a consideração dele. A promessa de Hector de que eles enfrentariam juntos as notícias quando ela estivesse pronta lhe dava um certo conforto. Sentir que não estava sozinha nisso, a ajudava bastante.

Sentindo uma onda de gratidão, ela se aproxima dele, movida pela ternura em suas palavras, e o abraça, aconchegando-se em seus braços fortes.

— Você é tão atencioso — murmura, sentindo a segurança que seu abraço oferece. — Sua preocupação só me faz perceber por que estamos juntos há tanto tempo. Mesmo sem me lembrar de nada, eu vejo o quanto você cuida de mim.

Hector sente o coração apertar com o impacto das palavras dela. Então, naquele momento, decide segurá-la mais forte.

Pelo fato de ter desligado a televisão, apenas uma pequena luz do abajur iluminava-os.

Enquanto a sustenta em seus braços fortes, ele sente o calor de suas respirações lutarem com o pulsar das batidas de seus corações. Nunca em sua vida, havia ficado tão perto de uma mulher daquele jeito, sem segundas intenções.

— Você precisa voltar para o quarto, Ava — sugere.

— Mas Hector…

— Mas nada! — ele interrompe. — Você não deveria estar aqui, e muito menos deveria ter descido a escada sozinha.

— Eu não consegui dormir… — ela explica. — Então decidi caminhar um pouco.

— Você não pode se esforçar, é para o seu bem. Volte para a cama — ele sugere.

— Eu já fiquei naquela cama demais, você não acha?

— Não, eu não acho. Você precisa de repouso absoluto, por isso eu a proíbo de descer para esse andar sem a minha permissão. Está me ouvindo?

— Eu não sou uma criança — ela rebate.

— Sei que não é, mas você precisa entender que o acidente te machucou bastante. Além disso, tem também o bebê que você perdeu — Hector toca no assunto com cautela.

Ao ouvir sobre o bebê, a expressão de Ava muda instantaneamente.

— Hector, como você se sente sobre a perda do nosso filho? — ela pergunta, deixando a curiosidade disfarçar a tristeza em sua voz.

Hesitando por um momento, Hector tenta encontrar as palavras para aquela situação, mas acaba desistindo.

— Ava, eu… — ele começa, claramente desconfortável. — Prefiro não falar sobre isso agora. Podemos deixar essa conversa para outro momento? — pede, tentando manter a delicadeza.

— Eu entendo — ela responde, percebendo a dificuldade que ele tem em falar sobre aquele assunto. — Imagino que para você também deve ser muito doloroso.

— Sim, está sendo… — confirma com a voz baixa.

— Desculpa, eu não deveria ter trazido isso à tona agora — Ava se desculpa rapidamente.

— Vamos tentar não pensar nisso agora, está bom? Vou te levar de volta para o quarto — determina.

Sem esperar uma resposta, Hector a levanta no colo com cuidado, sobe a escada com Ava nos braços e a atravessa o corredor até o quarto dela, onde a coloca gentilmente na cama.

— Por que você não fica aqui comigo? — Ava pergunta, segurando-o pelo braço, para ele não se afastar.

— Eu não posso — Hector responde.

— Por quê?

— Porque você precisa descansar, e ficar ao seu lado pode ser uma grande tentação — ele revela com sinceridade, tentando manter uma linha entre o cuidado e a tentação que o domina.

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