A manhã avançou rápido demais, como se o tempo tivesse decidido correr sem pedir permissão. Camélia tentou se manter presente nas conversas, nos mapas espalhados sobre a mesa, nas vozes que iam e vinham em tom baixo, mas algo dentro dela insistia em escapar do agora. Havia um incômodo leve, persistente, que não chegava a ser dor — era mais uma pressão constante, como se o ar estivesse sempre um pouco mais pesado quando ela respirava fundo demais.
Sem perceber, levou a mão ao ventre. O gesto foi instintivo, quase automático, como se o próprio corpo respondesse antes que a mente pudesse acompanhar. Não havia desconforto físico, nem sinal claro de alerta. O que existia ali era reconhecimento. Um chamado mudo, íntimo, impossível de ignorar.
Kael percebeu o movimento no mesmo instante. Antes mesmo de entender o motivo, o vínculo reagiu, puxando-o com suavidade, mas de forma insistente. Um calor conhecido atravessou a marca sob a pele, irregular, diferente do que já tinha sentido antes. Ele