CAPÍTULO 64 - DESEJO VISCERAL

O movimento na casa continuava, passos indo e vindo, vozes baixas discutindo horários e rotas, mas para Camélia tudo começou a ficar distante demais. O som chegava abafado, como se houvesse uma camada invisível entre ela e o resto do mundo. Ela tentou ignorar no início, respirando fundo, focando em algo concreto — a madeira sob os pés, o frio leve da manhã —, mas o corpo não colaborava.

O calor voltou. Não era súbito. Era progressivo, lento, ocupando espaço por dentro. Um aperto no peito, depois no ventre, depois espalhando-se como uma tensão que não encontrava descanso. Camélia parou perto da porta do corredor, apoiando a mão na parede sem perceber.

Kael sentiu antes de vê-la.

O vínculo puxou de uma vez só, sem aviso, fazendo-o virar o rosto no mesmo instante. O mundo pareceu se alinhar num único ponto: ela. A marca sob a pele ardeu, não como dor, mas como algo sendo acordado à força.

— Camélia… — chamou, a voz mais baixa do que pretendia, rouca.

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