Quando finalmente se aquietaram, ainda colados um ao outro, o mundo parecia diferente. Mais silencioso, mais atento, como se cada objeto ao redor tivesse inclinado levemente para observar o que acontecera. O cheiro do vínculo não ficou apenas no quarto; espalhou-se pelo corredor, pelos tapetes, pela madeira, até o ar pesado da casa inteira, carregando algo que não podia ser ignorado. Camélia sentia cada onda de vínculo reverberar pelo corpo, seu lobo despertando a cada respiração de Kael, a cada mínima vibração no espaço.
Na sala, Cauã foi o primeiro a perceber. Encostado no sofá, franziu o nariz e todo o corpo se enrijeceu, reagindo antes mesmo da mente. Inspirou fundo, tentando disfarçar, mas não havia como negar. Um suspiro longo escapou, carregado de resignação e irritação.
— Ah, não… — murmurou, passando a mão pelo rosto. — Oficialmente o pior lado de ter olfato de lobo.
Tânia, sentada à mesa, ergueu a sobrancelha e cruzou os braços, o corpo instintivamente tenso. O próprio lobo