ANALU
Acordo decidida: não vou permitir que a Gabi, o Humberto e a minha família controlem a minha vida de novo. Digo isso pra mim mesma três vezes antes de levantar. Repetindo como um mantra, enquanto encaro o teto branco do nosso quarto minúsculo. A luz do posto já tá acesa, mesmo sendo cedo.
Não vou deixar.
Não vou deixar.
Não vou deixar.
Cayo tá na cozinha, ou melhor, no cubículo que a gente chama de cozinha. O cheiro de pão queimando invade o ar. Ele é terrível com a torradeira, sempre deixa um lado carbonizado e o outro intacto. Tô vendo ele daqui, de costas, os músculos das costas tensionados mesmo tentando agir normal, relaxado.
Mas eu conheço esse homem.
Conheço a linha reta da sua coluna quando ele tá alerta, o jeito que a mão dele fecha quando sente uma ameaça. Ele tá pronto pra matar se precisar. E isso me assusta mais do que as ameaças que recebemos.
Deslizo da cama e vou até ele. Envolvo seus braços com os meus, encosto o rosto nas suas costas. Sinto o coração dele