CAYO
Acordo com meu peito pesado. Igual depois de uma briga grande, daquelas que tu toma uns socos, dá uns, e no fim fica aquele peso de ter sobrevivido. A diferença é que agora a briga não tem ringue, não tem hora pra acabar. Analu tá sentada no chão da sala, abraçando os joelhos, olhando pra janela como se o mundo fosse entrar por ali a qualquer segundo. A luz do posto de gasolina corta o rosto dela, e eu vejo o cansaço estampado nos olhos.
Três meses. Três meses desde que a Mari nos tirou do buraco e a gente tá nessa vida de fugitivo. Fugindo dos pais dela, daquele merda do Humberto, e da Gabi... principalmente da Gabi. Eu só vi o Zyon uma vez, escondido, num parque. Dez minutos. Ele me abraçou forte e perguntou quando eu ia voltar pra casa.
— Em breve, amigão. — eu menti.
A Gabi tá usando nosso filho como moeda de troca, e cada mensagem dela é uma facada. Eles não querem nos recuperar, não. Querem nos destruir. Querem ver a gente de joelhos.
— Patricinha? — minha voz sai rouca d