Analu
A decisão foi tomada com uma frieza que não sabia que possuía. Era como se a última revelação — a da prisão — tivesse quebrado algo fundamental dentro de mim, um elo de confiança que, uma vez rompido, era impossível de colar.
O Cayo era um mentiroso.
Um mentiroso compulsivo, que escondia o passado, o filho, a própria essência. E eu, Analu, a patricinha que sempre teve tudo, estava me afundando no caos que ele representava. Saber que ele tinha sido preso, que havia vivido uma realidade tão brutal e distante da minha... foi o golpe final.
Não pelo fato em si, mas pela omissão.
Ele me julgou incapaz de entender, de aceitar. E no fundo, talvez ele estivesse certo.
Naquela semana, o mundo parecia se mover para me afastar dele. Meu pai, sem saber de nada, me chamou para uma conversa no escritório.
— Ana Luísa minha filha, surgiu uma oportunidade única. A bolsa em Toronto, no Canadá. A faculdade de Administração é uma das melhores do mundo. Você se formaria em três anos, com uma bagage