Analu
Eu tava tentando seguir em frente.
Tentando de verdade.
Mas, meu Deus, como era difícil.
O Cayo tava em cada canto da minha cabeça, como uma sombra que eu não conseguia apagar. A escola, que sempre foi meu refúgio, agora parecia um campo minado. Cada esquina, cada conversa, cada momento de silêncio trazia ele de volta.
O cheiro de gasolina, o calor das mãos dele na minha cintura, o jeito que ele me chamava de “princesa” com aquele sorriso torto. Eu tava tentando focar nos livros, nas aulas, na vida certinha que meus pais esperavam de mim. Mas tudo parecia vazio, como se eu tivesse esquecido como viver sem ele.
Na quarta-feira, depois de uma aula de literatura que eu mal prestei atenção, resolvi almoçar com as meninas num barzinho perto da escola. Era um lugar simples, com mesas de madeira e um som ambiente que misturava MPB com rock. A Mari tava falando sobre uma festa no fim de semana, a Bia tava tirando selfies, e a Lú tava contando, toda empolgada, sobre o último encontro com