Cayo
Eu tava destruído. A volta do trampo naquela sexta-feira foi como levar um soco atrás do outro. O dia já tinha sido uma merda: entregas atrasadas por causa do trânsito no Rio, um cliente que gritou comigo porque o pedido chegou frio, e o dono do barraco mandando mais um recado sobre o aluguel atrasado.
Mas o pior não era isso.
Era a Analu.
O vazio que ela deixou depois do “término” no bar, depois que eu fodi tudo com meu ciúme, com minha raiva, com o jeito que sempre estrago tudo. Eu não conseguia tirar da cabeça o olhar dela, assustado, decepcionado, quando disse que acabou. Porra, eu sabia que ia dar merda, mas não achei que doesse tanto.
Cheguei em casa com o corpo pesado, a cabeça girando. O Zyon tava com a Gabi, como sempre, porque eu não tinha condição de buscar ele depois de um dia desses. Minha mãe tava na cozinha, fazendo um café, e tentou puxar conversa.
— Cayo, tá com cara de quem viu fantasma. Quer comer alguma coisa?
— Tô de boa, mãe — murmurei, passando direto p