Cayo
Porra, a vida tava uma montanha-russa do caralho, e eu tava no carrinho sem freio, descendo pro abismo. Depois daquela briga no bar, depois de ver o medo nos olhos da Analu e ouvir ela dizer que acabou, eu tava me afundando.
O trabalho como motoboy era a mesma correria: desviando de carros, entregando pacote pra playboy que nem olha na tua cara, sentindo o sol torrar a nuca e o vento na cara que antes me acalmava, mas agora só me fazia lembrar dela.
Lembrar da volta na moto com ela na garupa, os braços dela na minha cintura, o riso dela misturado com o ronco da Yamaha. Eu tava puto comigo mesmo, puto por ter perdido o controle, por ter mostrado o pior de mim. Mas o pior era o silêncio. O silêncio dela, que me matava mais que qualquer grito.
Eu tentava seguir. Acordava cedo, pegava o Zyon na casa da Gabi, levava ele pra escola, trabalhava até cair, voltava pra casa, bebia uma cerveja pra tentar apagar o dia.
Mas nada apagava ela.
A Analu tava cravada na minha mente, como uma tatua