Mundo de ficçãoIniciar sessãoUm príncipe determinado a não se apaixonar enfrenta um dilema ao reencontrar Samira, uma jovem que ele ajudou no passado e que agora precisa de sua ajuda novamente. Said Harun Nisba, filho do Sheik e presidente do Instituto de Energia Global Exagon, nasceu deficiente, sem o braço esquerdo, e enfrentou o desprezo de seu pai ao longo de sua vida. No entanto, ele mostrou sua força e persistência ao superar as adversidades e provar que não era um homem incapaz. Apesar de ter sido cercado por preconceito, a perspectiva distorcida de Said sobre o mundo mudou completamente quando ele se apaixonou por Tânia. Ele se entregou a esse amor e acreditou ter encontrado a felicidade. Contudo, anos mais tarde, descobre que Tânia o traiu com um americano durante suas viagens aos Estados Unidos. Indignado com a traição, Said expõe publicamente Tânia no Catar e decide se separar dela. Essa experiência intensifica sua visão negativa sobre o mundo, especialmente em relação às pessoas com deficiência. Ele passa a concentrar sua vida no poder e no controle, acreditando que sua mente deve estar focada nos negócios. Para ele, não há descanso neste mundo, e ele encontra sua energia e vitalidade ao se envolver em suas empresas. Possuindo uma mente calculista e um coração endurecido, Said segue em frente até se deparar com uma situação envolvendo Samira. Ela é uma jovem bela a quem ele havia ajudado no passado e que agora precisa dele novamente. No entanto, Samira já não é a mesma garotinha de antes.
Ler maisCatar, Doha Costa leste do Golfo Pérsico
Exagon, Global Energy Institute.Said Harun Nisba, Presidente
—Sou isso mesmo que está vendo. Um ser egoísta. Contudo, tenho uma pequena bondade que de vez em quando aflora dentro de mim e eu resolvi mudar seu destino.Os olhos dela estão fixos em mim. Consigo ver curiosidade, expectativa e esperança misturadas em seu olhar.—Mudar meu destino? Como?Sua voz cheia de ansiedade desperta algo dentro de mim há muito adormecido. Uma sensação antiga e perigosa. Algo que eu não deveria sentir. Contudo, quanto mais sinto, mais vontade tenho de bloquear meus sentimentos. Quanto mais ela desperta minha humanidade, mais necessidade tenho de enterrá-la.—Espere e verá —digo cheio de impaciência.Samira intensifica seu olhar no meu.—Isso já estava em seus planos ou resolveu agora?—Eu já planejava isso.—Então por que não veio me ver antes? Por que não pensou em me trazer algum alento com suas palavras?Meu coração bate erraticamente dentro do peito. Forte. Descompassado. Irritante. Por um segundo sou incapaz de responder. Apenas a encaro.Porque se eu tiv
SamiraSim.Ele pensa que me desvirtuei.Como tantas garotas que dançam lá...Mas não.Sou virgem dos pés à cabeça.E mais.Sempre dancei coberta.Só deixava à mostra meus olhos.Nunca ninguém soube quem estava por trás do véu negro que cobria o meu rosto.Até a minha mecha branca eu fazia questão de cobrir com um spray da mesma cor dos meus cabelos.O primo dele só descobriu que eu dançava porque me viu caminhando na rua com Annelise.Então ele ligou as coisas.Desde aquele dia parecia um carrapato tentando me convencer a sair com ele.Quando eu disse que não fazia programas ele não acreditou.Depois de tantas negativas, ainda que suas ofertas em dinheiro aumentassem, ele finalmente entendeu que eu estava falando a verdade e para se redimir insistiu em me levar para a pensão que eu dividia com as outras garotas.Nossos costumes não nos permitem entrar sozinha no carro de um homem.E acenei um forte não para ele.Mas Rashid pegou meu braço e praticamente me empurrou para dentro de seu
—Sim, ele fez isso, mas aqui não é o lugar certo para falarmos sobre isso. Vamos voltar para o seu quarto. Você precisa se deitar.Eu respiro fundo enquanto o encaro pensativa.Os olhos dele permanecem fixos nos meus.Firmes.Impenetráveis.Não encontro ali nada do homem que conheci anos atrás.Nenhum calor.Nenhuma gentileza.Nenhuma saudade.E agora?Eu me desvencilho dele provando que estou forte e ágil, ou fico?Meu orgulho exige que eu vá embora.Que me afaste.Que mostre a ele que não preciso da sua ajuda.Mas meu coração...Oh Allah!O sentimento que ele evoca em mim é avassalador e me consome.Tão forte.Tão absurdo.Tão fora de controle.Tanto é verdade que quando me vejo estou acenando afirmativamente com a cabeça para Said.—Tudo bem eu fico.As palavras escapam dos meus lábios.Antes mesmo que eu consiga impedi-las.O que você fez?A razão me condena.A razão praticamente grita dentro da minha cabeça.—Decisão acertada.O tom dele continua frio.Objetivo.Como se estivesse
SamiraNão me vem nada para dizer.Nenhuma palavra.Nenhuma reclamação.Nenhuma saudação.Apenas fico olhando para ele.O mundo parece ter parado ao nosso redor.Sinto as mesmas sensações do passado.As mesmas.Como se tivéssemos nos visto ontem.Como se cinco anos não existissem.As lembranças voltam com força total.Uma atrás da outra.As conversas na casa de Zumira.Os sorrisos discretos.Os poucos minutos que ele sempre encontrava para falar comigo.Tudo retorna de uma só vez.Meu peito aperta.Meu coração acelera.E por um instante me falta o ar.Contudo, Said não parece sentir o mesmo que eu.Ele me encara com antipatia.A mandíbula travada.Os músculos do rosto rígidos.Nenhum sinal de carinho.Nenhum sinal de saudade.Nenhum sinal de que um dia eu tenha significado alguma coisa para ele.Lembre-se que ele não foi um dia sequer te ver!A lembrança atravessa meus pensamentos como uma faca.Ele me afasta com dureza de perto de si.Sua grande mão continua segurando o meu braço.Me





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