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Fazer negócios, solucionar problemas complexos da empresa, lidar com crises bilionárias... tudo isso é mais fácil do que lidar com a presença do meu irmão, Jared

Balanço a cabeça, um movimento brusco, para espantar esses pensamentos permissivos que até hoje me corroem como ácido, uma corrosão lenta e dolorosa que me impede de confiar, de amar novamente. Olho meu relógio de pulso, um Rolex cravejado de diamantes, um símbolo da minha riqueza, mas que não pode comprar a paz de espírito. Nove horas. A manhã já está avançada.

Agora pela manhã, irei ao meu escritório, o santuário onde a razão impera. Lá, farei uma reunião com o Sheik Abdala, um homem de negócios tão implacável quanto eu, que estará acompanhado de sua equipe para acompanhar a evolução do projeto das refinarias de condensação. Depois, almoçaremos todos no Qalamkarri, um dos restaurantes mais exclusivos de Doha, onde os negócios se misturam com a alta gastronomia. À tarde, deixei livre. Pretendo passar no hospital e saber como está Samira. Uma pontada de preocupação, um sentimento que eu pensei ter erradicado, me atinge.

Fungo, um som quase inaudível, e examino novamente meu terno impecável no reflexo do espelho. A imagem é a de um homem poderoso, mas por trás da fachada, a alma está em pedaços. Então, caminho pelo corredor largo do meu palácio, um labirinto de luxo e solidão. As paredes são ornamentadas com quadros de pintores expressionistas, obras de arte que gritam emoções que eu me recuso a sentir. Ao final dele, encontro meu assistente, que faz uma leve reverência para mim, um gesto de respeito que me lembra do meu status.

Zoraide também se aproxima, seu habitual sorriso forçado no rosto, uma tentativa vã de esconder o nervosismo que minha presença sempre evoca.

Sabah alkhayr (Bom dia), vossa alteza — ela diz, a voz um pouco mais aguda do que o normal.

Tenho a tendência de exercer esse efeito nas pessoas. Minha aura de poder e frieza é um escudo, mas também uma barreira.

Sabah alkhayr. — Respondo, sem alterar o tom.

— Sheik Jared ligou. Disse que tentou ligar no vosso celular, mas não conseguiu. Vossa alteza lhe fará uma visita amanhã com a princesa e seu sobrinho. — A notícia me atinge como um golpe.

Fazer negócios, solucionar problemas complexos da empresa, lidar com crises bilionárias... tudo isso é mais fácil do que lidar com a presença do meu irmão, Jared. Ele, com sua vida perfeita, sua adorável esposa, Haniya, fidelíssima a ele, e seu filho lindo e perfeito, Raed. É um espelho da vida que eu poderia ter tido, um lembrete constante do que perdi, do que me foi roubado.

Liakun (Assim seja). — As palavras saem com um suspiro resignado.

Avanço para a sala de jantar, um cômodo grandioso onde o café me espera, fumegante e aromático. O jornal está ao lado, numa fina bandeja de ouro, devidamente aberto na página de economia, o mundo dos números e dos lucros, meu refúgio. Uma Zoraide agora taciturna me serve o café, seus movimentos mais lentos, como se o peso da minha presença a oprimisse.

Como todas as manhãs, depois de garantir que está tudo conforme meu agrado, ela se afasta, discreta. Contudo, uma empregada distante, a uns seis metros de onde estou, fica de prontidão, atenta a todas as minhas necessidades, um fantasma silencioso à minha disposição. Observo o lugar vago na mesa, o espaço onde Tânia costumava sentar, e de repente, me lembro como me alegrava a presença dela ao meu lado. A ironia é cruel. O amor, aquele sentimento que eu tanto desprezava, foi o principal componente do meu casamento. Nunca tive a tendência de colocar o sentimento à frente da razão, mas pela primeira vez, eu havia aberto meu coração, me entregado a uma ilusão.

Sinto um aperto no peito, uma dor fantasma que se recusa a desaparecer. Fecho os olhos com força, tentando afastar a imagem dela, as lembranças que me assombram.

Allah! Não sei por que essas recordações nocivas estão invadindo minha mente hoje, justamente hoje, quando preciso de toda a minha frieza e controle. Com a resolução de enterrar os maus pensamentos, de bani-los para o abismo do esquecimento, consumo meu café da manhã sem distrações, cada gole um esforço para manter a compostura. Anya, a empregada que estava de prontidão, quando percebe que finalizei, se aproxima imediatamente e afasta a cadeira pesada para eu me levantar. Avanço até a sala onde Omar, meu motorista, já me aguarda, o carro pronto para me levar de volta ao mundo dos negócios, onde as emoções são um luxo que não posso me permitir.

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