Mundo de ficçãoIniciar sessãoEles eram apenas um mito... até que ela se tornou a noiva deles em um contrato impensável. Em um pacto para salvar seu povo, ela é levada para o mundo dos dragões, onde o ódio entre os clãs é tão intenso quanto a obsessão que eles sentem por ela. Agora, a "nossa humana" precisa sobreviver ao temperamento de cinco príncipes Dragões completamente diferentes e ao fogo de uma paixão que pode consumi-la. E entre o dever e o desejo, Orin terá que decidir se o beijo de um dragão é a sua salvação ou a sua perdição.
Ler maisO horizonte a leste de Solária começava a se partir, revelando uma fenda de um rosa doentio e cinza pálido que lutava para expulsar a escuridão da noite. Para Dior, a promessa de um novo dia era apenas mais uma obrigação cronológica que ele não tinha mais energia para saudar.
Ele deslizava pela areia úmida da praia, seu corpo longo e serpentino de dragão azul movendo-se com uma graciosidade letal e silenciosa, as escamas refletindo a luz fraca e fria da manhã como metal submerso.
Seus pensamentos, no entanto, estavam presos na poeira da vila que deixara para trás nas horas escuras. O cheiro de doença, os olhares ocos de mães sem leite e o silêncio fúnebre de prateleiras vazias. Ele trazia nos ombros o peso de um povo que ruía faminto e sem recursos.
— Principe Dior! Finalmente... achei que teria que inundar a costa para você notar minha presença tão cedo.
A voz de Luminara surgiu como um chicote de seda, quebrando a sinfonia frágil do amanhecer. Ela emergiu das dunas, exalando um perfume floral sintético que agredia a pureza da brisa matinal. Vestia sedas translúcidas que se colavam estrategicamente às suas curvas, movendo-se com uma volúpia ensaiada, como se a praia fosse o seu palco e Dior, o seu prêmio.
— Aquela vila é um tumor, querido. Um desperdício de oxigênio — ela sibilou, aproximando-se o suficiente para que Dior sentisse o calor invasivo da sua respiração, contrastando com o frescor da manhã. Ela passou uma unha afiada pelo peitoral dele, ignorando o frio gélido que emanava daquelas escamas. — Por que definhar entre miseráveis quando poderia estar se afogando em mim? Eu sou o que você precisa, a melhor fêmea para o seu reino.
Dior parou. Ele não desviou o olhar do mar cinzento. Seus olhos azulados, marcados por uma cicatriz que parecia uma fenda em um iceberg, permaneciam apáticos à beleza do sol nascente. Ele era como um "morto-vivo" em sua forma mais pura. Um bloco de gelo que se recusava a derreter sob o calor forçado dela.
— Ninguém nunca vai te querer de verdade, Principe Dior. Olhe para você... — Luminara rosnou, a voz subindo de tom, ferida pela indiferença monótona dele sob a luz clara da manhã. Ela se postou à sua frente, forçando o contato. — Você parece um cadáver que esqueceu de apodrecer. Um monstro frio e solitário, com uma cicatriz que espanta qualquer desejo e com uma língua que irrita qualquer um. Mas eu? Eu estou disposta a aceita-lo. Sem mim, você é apenas um erro da natureza. Ninguém vai amar um rei feio, irônico e desinteressado.
Em um surto de audácia irritante, ela se lançou contra o peito dele, as mãos apertando seu rosto enquanto buscava seus lábios em um beijo que cheirava a ambição e luxuria barata.
O movimento de Dior foi um borrão de velocidade predatória, mais rápido que o primeiro raio de sol. Antes que ela pudesse poluir sua boca, ele a agarrou pelos pulsos e a afastou.
Não houve grito, nem rosnado; apenas o estalo seco dos ossos dela sob a pressão da força dele. Ele a encarou de perto, a face a centímetros da dela, exalando uma aura tão ríspida e perigosa que o ar matinal ao redor pareceu cristalizar.
— Você fala muita merda. Você só está atras de mim, porque estar comigo vai te dar poder. Coisa que os seus machos não lhe dão.— A voz dele era um sussurro ríspido. — Mas sua língua é tão suja quanto a sua alma. Antes de se preocupar com quem vai te dar poder, deveria se preocupar com a filhote que você abandonou. Ela está morrendo de febre enquanto você se oferece como carne em leilão para alguém que está cagando para você. Eu não preciso de uma rainha e ela precisa de uma mãe que não seja um verme. O que sinceramente, acho difícil, vendo que a mãe dela é você.
Luminara soltou um arquejo de dor e puro choque. A humilhação queimou em seu rosto como ácido sob a luz crescente do dia. Ela se soltou com um puxão violento, tremendo de fúria contida, as unhas cravadas na palma da mão.
— Pode bancar o herói dos pobres o quanto quiser, Principe Dior! — ela gritou, a voz trêmula de ódio enquanto recuava, sua figura banhada pelo rosa doentio do céu. — Mas a conta vai chegar. Você precisa de uma rainha para manter essa coroa na sua cabeça e esses lixos que você chama de povo protegido. Mas quem vai querer um macho como você? Quem vai aceitar dividir o trono com um homem que não sente nada? Você vai apodrecer sozinho, e quando o conselho te descartar como o lixo que você é, não venha rastejar para mim! Pois eu sou a única que pode ser a sua rainha.
Ela deu as costas, partindo com passos pesados pelas dunas, deixando para trás apenas o cheiro de seu perfume enjoativo e o eco de suas palavras cruéis.
Dior permaneceu imóvel sob a luz do sol que agora vencia o horizonte. A máscara de apatia continuava lá, mas por dentro, as engrenagens de sua mente estavam travadas.
"-Preciso de uma rainha..." - O conceito de ter uma fêmea ao seu lado, alguém para tocar, para ouvir, para ser o pilar de um futuro que ele mal conseguia visualizar, trouxe uma angústia física, uma pressão no peito que nem as profundezas do oceano causariam.
Ele olhou para o horizonte que agora brilhava, sentindo o peso da coroa invisível esmagar seus ombros. Ele podia precisar de uma rainha, mas não havia nada no mundo que o fizesse aceitar Luminara.
Não muito longe dali, ainda em Solária, o sol da manhã mal havia vencido os picos escarpados mas o som metálico de lâmina contra pedra ecoava pelo pátio de treinamento.
Tork não treinava com elegância; ele lutava como se quisesse partir o próprio mundo ao meio.
Sem camisa, seu torso maciço estava coberto por uma película de suor que fazia seus músculos saltarem sob a pele bronzeada. Cada golpe de sua espada pesada levantava faíscas e poeira.
Ele era um bruto, um gigante de pedra e fúria que ignorava o cansaço. Para ele, a força era a única linguagem que não mentia.
— Príncipe Tork! — A voz anasalada do conselheiro de sua mãe cortou o ritmo do seu treino. — Sua Graça, a Rainha Serafina, exige sua presença imediata nos aposentos reais.
Tork não respondeu de imediato. Ele desferiu um último golpe devastador num boneco de palha reforçado, decapitando-o com uma violência desnecessária. Ele limpou o suor da testa com o antebraço grosso, bufando como um touro, e cravou a espada no chão de terra antes de caminhar em direção ao castelo, sem sequer olhar para o conselheiro. Seus passos eram pesados, ignorantes a qualquer protocolo de nobreza.
Ao entrar nos aposentos de sua mãe, o contraste foi imediato. O luxo das sedas e o cheiro de incenso o irritavam. A Rainha mãe, Serafina, estava reclinada em seu divã, com uma expressão de sofrimento ensaiada.
— Meu filho... — ela começou, levando a mão ao peito como se o coração estivesse prestes a falhar. — Olhe para você, coberto de terra de novo. Até quando vai ignorar os seus deveres como príncipe? Eu estou ficando velha, Tork. Meu único desejo é ver meu filho com uma consorte, segurar meus netos nos braços antes que o tempo me leve.
Tork soltou uma risada rouca e gutural, que soou mais como um rosnado.
— Deixe de drama, mamãe. Você tem mais saúde que metade dos meus soldados — ele disse divertido, apesar da voz grossa e áspera, sem um pingo de paciência. — Não estou interessado em fêmeas, para esquentar a minha cama. Tenho problemas reais. O Principe Alaric continua escondendo as ervas medicinais nas florestas dele, e eu preciso dar um jeito de fazer aquele príncipe emplumado compartilhar o que nos pertence por direito. O nosso povo está morrendo sem as ervas necessárias.
Serafina revirou os olhos, ignorando a preocupação política do filho.
— O Principe Alaric pode esperar! O que não pode esperar é a sucessão. — Ela se sentou, os olhos brilhando com uma ideia perigosa. — E sobre uma consorte... o que acha de Venenosa? Ela é fértil, poderosa e tem demonstrado um interesse muito particular em você.
Tork estancou no lugar. Seus punhos se fecharam e uma veia saltou em seu pescoço. Ele se virou para a mãe com um olhar que faria um soldado experiente recuar.
— Venenosa? — Ele cuspiu o nome como se fosse veneno real. — Nem morto! Mãe, eu não me tornarei o novo brinquedo daquela fêmea nem que o reino inteiro desabe. Ela não quer um parceiro, ela coleciona machos como se fossem troféus de caça. Ela só quer a porra da posição de Rainha e o poder que vem com o meu nome. Aquela mulher é uma víbora que devora o que toca. A senhora não pode estar falando sério.
— Ela é uma opção estratégica! — a Rainha gritou, perdendo a compostura. — Você precisa de alguém ao seu lado, Tork! Alguém que controle esse seu temperamento de animal!
— Eu não preciso de uma coleira, mãe! — Tork rugiu de volta, a voz fazendo os candelabros de ouro tremerem. — Eu preciso de soluções, não de uma fêmea ambiciosa me rodeando.
Ele deu as costas, o cheiro de suor e esforço físico deixando um rastro no ambiente refinado da mãe.
— Aonde você vai? Não terminamos! — Serafina clamou, desesperada.
— Mas eu terminei, mamãe. — ele gritou por cima do ombro, sem parar de caminhar. — Tenho uma reunião agora com os outros príncipes e não vou chegar atrasado por causa das suas fantasias. Resolva seus dramas sozinha. Eu tenho mais o que fazer.
Ele saiu batendo a porta com tanta força que o som pareceu uma explosão. Tork estava furioso, a adrenalina do treino ainda queimando em seu sangue, e a simples ideia de ser forçado a um acasalamento político o deixava com vontade de derrubar as paredes do castelo com as próprias mãos.
“- Venenosa? É ruim, heim!”
— O que quiser! Faço o que quiser! Só, por favor, não me matem!Pyro agarra o rosto do rapaz com uma mão quente. Um chiado é ouvido e uma fumaça fina começa a sair da pele do jovem, que geme de dor e terror.— Você vai avisar aos quatro ventos que esta terra pertence aos dragões. E se algum engraçadinho tentar qualquer coisinha, morre sem dó — Pyro sorriu friamente, aproximando seu rosto do dele. — Você entendeu, filhote?O rapaz confirma com a cabeça, os olhos arregalados e desesperados.— Ótimo! Isso em seu rosto é uma lembrancinha de que fui complacente e o deixei partir — Pyro fica subitamente sério, a diversão sumindo de seu rosto. — Agora suma daqui!Pyro larga o rosto queimado do jovem e, com um simples movimento, apaga o fogo ao redor. E assim que as chamas se extinguem, o jovem caval
Ela se vira para o pai e para a irmã, vendo que ambos estão igualmente confusos e assustados com a reação súbita dos dragões.— Descanse, papai. Eu vou ver o que houve com eles. Rosa, cuide do papai, por favor — Orin pede rapidamente. Sua irmã concorda com um aceno vigoroso, enquanto Marcel solta um suspiro exausto, deixando o corpo enfraquecido cair contra o leito.Orin não perde tempo e corre para fora, o coração martelando contra as costelas.O sol lá fora parece brilhar de forma estranha sobre os cinco homens parados como estátuas frias.Ao se aproximar deles, ela questiona confusa.— O que hou...?— Volte para dentro! — A interrupção é cortante.Orin o encara confusa, sentindo o impacto de ter sido interrompida por Dior. De todos eles, o príncipe da água sempre lhe pareceu o mais cul
Rosa deu um passo à frente, o rosto tenso.— Acordo? Que tipo de acordo, Orin?Orin sentiu o rosto queimar violentamente. E antes que pudesse encontrar as palavras certas para explicar tamanha imoralidade aos olhos da vila, Alaric deu um passo à frente, sua voz galante preenchendo o ambiente.— Permita-me esclarecer os termos.Marcel e Rosa desviaram a atenção para o príncipe de cabelos negros, hipnotizados pela beleza surreal que ele trazia para aquele ambiente humilde.Alaric, imerso em uma calma gélida e autoritária, simplesmente continuou sua explicação como se o peso do mundo não o afetasse.- A Senhorita Orin concordou em ser nossa noiva. Ela nos dará herdeiros e, em troca, sua linhagem fornecerá uma noiva de tempos em tempos para nos servir pelo tempo que desejarmos. Em contrapartida, nós juramos proteção eterna a esta
Orin mordeu o lábio inferior novamente, um gesto de puro nervosismo que não passou despercebido por Corvus. O dragão negro, observando o conflito interno estampado no rosto da jovem ruiva, manifestou-se com sua calma habitual, embora houvesse um rastro de resignação em sua voz profunda.— Ela não quer. O fardo é grande demais para uma humana.— Não! Eu quero sim! — Orin disparou antes mesmo de processar o que estava dizendo.As palavras saíram impulsionadas pelo desespero e pela necessidade.No instante seguinte, o silêncio caiu sobre o coreto e os cinco príncipes a encararam fixamente.Orin sentiu o calor subir por seu pescoço, tingindo seu rosto de um vermelho tão intenso quanto seus cabelos. A vergonha era quase insuportável, mas sua mente gritava o mantra que a mantinha de pé.“-Eu preciso. Pelo meu povo. Pelo m
Sem pedir permissão, Alaric a pegou no colo com uma leveza impressionante e em silêncio, o grupo a escoltou para longe da batalha, embrenhando-se na mata até chegarem a uma pequena estrutura circular adornada por flores, um coreto antigo, usado raramente por amantes que buscavam refúgio.Alaric a colocou sentada ali, protegida do sol e do caos.— Acho melhor terminarmos com aquela nossa "reunião" nada amigável lá atrás — sugeriu Corvus, enquanto Orin fungava, limpando os olhos marejados com as costas das mãos.— Estou de acordo. Se eles se empolgarem demais, podem acabar acertando-a mesmo aqui — concordou Alaric.Antes de partirem, Dior se abaixou diante da jovem camponesa, forçando-a a encará-lo, e Orin o fez, ainda tentando processar a magia e o perigo que a cercavam.— Você espera aqui — Dior ordenou com sua autoridade gél
Incapaz de suportar a visão da própria cama, Pyro deu as costas e caminhou até a adega particular no canto do quarto. Ele pegou uma garrafa de vinho, o líquido tão escuro quanto sangue, e seguiu para a imensa janela que dava para os jardins vulcânicos.Ele se sentou no parapeito, a garrafa em uma mão e o olhar perdido no horizonte, onde a vila dos humanos se escondia depois das florestas. E bebeu um longo gole, sentindo o vinho queimar, enquanto o frio em seu peito persistia.E pela primeira vez em toda a sua vida imortal, o sono não veio. O grande Pyro, o senhor das chamas, estava desperto, vigiado pela lua e assombrado pela imagem de uma fêmea humana que ele deveria desprezar, mas que, de alguma forma, roubara sua paz.— O que você fez comigo, sua pequena fêmea humana? — murmurou ele para o vento, enquanto a primeira luz da madrugada começava a tocar as montanhas, encon
Último capítulo