LARA
O quarto está silencioso.
A luz suave que atravessa as cortinas beira o dourado, mas ainda não chegou à intensidade da tarde. É como se o dia estivesse suspenso, esperando. Como se nada quisesse avançar antes de sabermos com certeza que tudo ficará bem.
Minha mãe respira com calma, os cabelos espalhados pelo travesseiro branco, os traços relaxados pelo cansaço. Pela primeira vez em muito tempo, ela parece pequena.
Frágil.
Humana.
A respiração regular alivia algo em mim, mas não dissolve co