ARTHUR VALENTE
O teto de concreto acinzentado e as paredes descascadas da delegacia central de custódia pareciam reter a umidade e o peso de todas as misérias humanas que já haviam cruzado aquelas portas. O ar ali dentro era denso, impregnado de café requentado, fumaça de cigarros antigos e o cheiro metálico de suor frio e desespero. Para um homem que passou a vida respirando o ar condicionado filtrado e o aroma de madeira nobre das salas de diretoria da Valente Corp, aquele ambiente era um cho