MAYAAcordei com a sensação de que o oxigênio do meu próprio apartamento parecia pesado, impregnado de um cheiro invisível de perigo, difícil de processar. O beijo de Arthur ainda vibrava em meus lábios como uma cicatriz que ainda ardia, mas a luz crua da manhã, entrando pelas frestas da janela, trouxe consigo uma clareza dolorosa. Eu havia quebrado a regra. Eu havia permitido que o homem que eu mal conhecia atravessasse a última barreira que me restava.E o pior: eu não me arrependia. Isso tudo é loucura, e eu preciso procurar um psiquiatra.Olhei para o sofá e o vi. Arthur já estava de pé, vestindo a mesma camiseta de algodão, observando a rua através da cortina. Ele tinha uma postura de vigília que me incomodava. Não era o relaxamento de um homem que acabou de acordar, mas a tensão de um soldado em território inimigo.— Dormiu bem? — Perguntei, minha voz ainda rouca de sono.Ele se virou, e por um breve segundo, a frieza em seus olhos derreteu ao me ver. — O suficiente, Maya. O caf
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