ARTHUR VALENTE
O som estridente do telefone fixo no corredor dos fundos cortou o silêncio da madrugada como uma lâmina afiada. No mesmo instante, meu corpo tensionou. Olhei para a poltrona de amamentação e vi Maya dar um sobressalto, os olhos arregalados ainda pesados de sono, mas já inundados pelo reflexo do pânico que havíamos carregado por semanas.
— Não se mexe — sussurrei, a voz baixa, mas firme. — Fica com eles. Eu atendo.
Deslizei os pés para fora da cama auxiliar e cobri a distância até