Depois de um dia longo e sufocante, apenas decidimos ir direto para a minha casa. Não havia planos, não houve preparação; tudo aconteceu tão rápido que Julian sequer teve a chance de passar na própria casa para buscar roupas ou qualquer coisa que fosse dele. Ficamos combinados de que, no dia seguinte, ele cuidaria disso. Ainda assim, quando a porta da minha casa se fechou atrás de nós, senti o ar mudar de peso. O silêncio que antes era confortável agora se tornou espesso, quase palpável, como se nos lembrasse de que estávamos sozinhos, juntos, dentro de quatro paredes. A ficha caiu com força: um completo desconhecido agora estava no meu lar, no meu espaço mais íntimo. E, de alguma forma, esse desconhecido era meu marido.
Mesmo sabendo da formalidade absurda do que aconteceu, meu corpo ainda recusava aceitar essa proximidade. Julian era um homem que eu conheci a poucas horas, mas a intensidade da sua presença parecia como se já estivesse impregnada em cada canto da minha men