Mundo ficciónIniciar sesiónNas noites congelantes de Montreal, o clube subterrâneo Le Mirage é o único lugar capaz de incendiar a cidade. É ali, sob uma luz prateada, que nasce o maior mito da vida noturna canadense: Alaska, a stripper intocada de máscara veneziana que coloca qualquer homem de joelhos sem jamais se deixar tocar. Por trás do disfarce está Evelyn Laurent, uma jovem que esconde sua identidade para pagar os estudos do irmão. Seu tabuleiro vira de cabeça para baixo quando ela é forçada a aceitar um casamento de contrato com Damien Blackwood, o gênio corporativo mais poderoso — e arrogante — de Montreal. Para garantir a presidência do império da família, ele aceita a imposição do avô e se casa com Evelyn, enxergando-a apenas como uma "garota sem sal" que pretende manter longe de sua vida. O que o bilionário não imagina é que, na sua própria despedida de solteiro, ele foi dominado e roubado de sua sanidade por Alaska. Começa um jogo perverso de duas sombras sob o mesmo teto: de dia, Damien trata Evelyn com desdém na mansão; à noite, gasta fortunas no camarim do clube, rastejando pela stripper prateada — sem notar que está obcecado pela própria esposa. A atração entre eles explode em uma possessividade doentia. Encurralado entre o fantasma da boate e o fogo que a esposa acende em sua cama, Damien entra em curto-circuito. Para piorar, o ex-namorado de Evelyn, o astro da NHL Liam Vance, e as armadilhas do primo Adrian Blackwood ameaçam expor o segredo. Entre encontros tórridos, ciúmes e um processo de divórcio após dois meses, a verdade vem à tona com o colapso da família. Sem máscaras, eles descobrem que o que sentem vai além da luxúria: estão perdidamente apaixonados.
Leer másPOV Damien Blackwood
A neve caía sem trégua nas ruas de Montreal, cobrindo os prédios históricos com uma camada branca e grossa. Do lado de fora, o termômetro marcava dezoito graus negativos, mas dentro do Le Mirage, o clima era completamente diferente. O som dos graves fazia o chão de vidro vibrar sob os meus pés, misturando o calor sufocante das luzes neon com o cheiro de bebida cara.
Eu estava sentado no camarote VIP mais caro da boate, girando o uísque no meu copo de cristal com a pior cara possível. Meus olhos estavam fixos nas pedras de gelo que derretiam devagar. Eu só queria ir embora. Ignorei os meus amigos e as três mulheres deslumbrantes que tentavam chamar minha atenção a todo custo desde que cheguei.
— Vamos lá, Damien! É a sua despedida de solteiro — Adrian, meu primo, se inclinou para falar mais alto por causa da música, batendo no meu ombro. — Pelo menos finge que não está indo para um funeral amanhã.
— E qual é a diferença? — minha voz saiu grossa, cortante. Eu não fazia questão nenhuma de esconder o meu mau humor. — Amanhã meu avô me amarra por contrato a uma garota que eu nem conheço. Uma menina comum, da periferia, só para a imprensa achar que os Blackwood são humildes e se importam com o povo. É pura fachada para fazer as ações subirem.
— Evelyn Laurent, né? — Adrian deu de ombros, virando o seu drinque de uma vez. — O velho Richard era amigo de infância do avô dela. Ela deve ser uma coitada sem um tostão. Pensa pelo lado positivo, cara: vai ser discreta. Você dá um apartamento bem longe da sua mansão, uma boa mesada e continua vivendo a sua vida.
Não respondi. Fiquei com o maxilar travado de tanta irritação. Aos trinta e dois anos, comandando um império bilionário, eu odiava ter que me submeter ao capricho do meu avô. Mas eu precisava daquele casamento para garantir a presidência absoluta da empresa, sem interferência do conselho. Eu daria o meu sobrenome para a neta do falecido amigo de Richard e, em troca, ela sumiria da minha vida. Simples assim.
De repente, a música parou de uma vez.
As luzes roxas e vermelhas da boate se apagaram, deixando o lugar num breu total por alguns segundos. O falatório na área VIP sumiu na hora. Até os caras mais bêbados ao meu redor prenderam a respiração. Todo mundo ali sabia o que aquilo significava.
Uma única luz fria e prateada acendeu bem no centro do palco. Uma fumaça baixa começou a se espalhar e, no meio dela, ela apareceu.
Eu, que tinha passado a noite inteira olhando para o meu próprio copo, erguia a cabeça. E parei no mesmo instante.
A mulher no palco parecia desenhada para testar o autocontrole de qualquer homem.
Uma peruca de fios prateados descia em ondas perfeitas até a cintura dela, brilhando intensamente sob o refletor. O rosto estava escondido por uma máscara veneziana preta, deixando à mostra só os lábios pintados com um batom vermelho bem escuro e provocante, além de um olhar que parecia enxergar o fundo da alma de todo mundo ali dentro.
Uma música lenta e cheia de mistério começou a ecoar pelas caixas de som.
— Alaska... — Adrian murmurou do meu lado, perdendo toda a pose de deboche e olhando hipnotizado. — A intocada da casa. Nenhum homem aqui tem dinheiro suficiente para chegar perto dela.
Eu nem ouvi o que o meu primo disse. Meus olhos estavam travados nos movimentos daquela mulher. Alaska não dançava como as outras; ela comandava o lugar. Movia o corpo com uma facilidade magnética, provocando a mente de cada um que assistia. Era como se o inverno de Montreal estivesse pegando fogo ali dentro.
A música foi ficando mais intensa, e ela caminhou devagar pela passarela elevada, que passava bem na altura do camarote onde eu estava.
Por um segundo que pareceu durar horas, os olhos de Alaska, por trás da máscara, cruzaram direto com os meus.
Senti o meu sangue ferver nas veias, uma sensação que eu não tinha há muito tempo. Vi o canto dos lábios vermelhos dela se curvar num sorriso rápido — um deboche puro, como se ela soubesse exatamente o efeito devastador que estava causando em mim. O terno sob medida que eu usava pareceu apertado demais. Larguei o copo na mesa, segurei firme no corrimão de ferro e me inclinei para frente, completamente incapaz de desviar o olhar daquela miragem prateada.
Quando a dança acabou, debaixo de palmas barulhentas, Alaska deu um passo para trás e sumiu no meio da fumaça, sem deixar rastros.
Dei um passo à frente, no impulso idiota de ir atrás dela, mas a figura enorme de Roman, o segurança pessoal dela, já estava postada na entrada do corredor dos camarins. A mensagem dele foi clara só com o olhar. Com Alaska, ninguém mexia.
— Esquece, primo — Adrian riu, pegando outro copo e tentando quebrar o meu transe. — Ela é um fantasma. Ninguém sabe onde mora, ninguém sabe o nome de verdade.
Respirei fundo, sentindo o rastro de um perfume doce e misterioso que tinha ficado impregnado no ar do camarote. Voltei a sentar, mas continuei olhando para o palco vazio.
Amanhã de manhã, eu estaria na igreja, assinando um contrato de casamento com uma garota sem graça chamada Evelyn Laurent. Mas, naquela noite, enquanto a neve caía lá fora, a minha mente e o meu desejo tinham sido completamente roubados por Alaska.
POV DAMIENEu não aguentei mais.Com um grunhido que veio do fundo do peito, terminei de abrir a calça e puxei o pau para fora. Ele estava dolorosamente duro, grosso, latejando, a cabeça brilhando de pré-gozo. Nem me dei ao trabalho de tirar o terno inteiro — só baixei a calça e a cueca o suficiente. Eu precisava estar dentro dela agora.— Porra, Evelyn... — rosnei, rouco, quase sem reconhecer minha própria voz.Olhei para ela debaixo de mim. A camisola de tule preto embolada na cintura, o sutiã vermelho puxado para baixo, expondo aqueles seios perfeitos. A calcinha minúscula estava encharcada, colada aos lábios inchados dela. O cheiro dela subiu até mim, doce, quente, molhado. Meu pau pulsou mais forte.Não pensei. Agarrei a calcinha e rasguei a lateral com um puxão seco. O som do tecido se partindo me deixou ainda mais louco. Evelyn soltou um gemido surpreso, os olhos brilhando de excitação.Posicionei a cabeça grossa na entrada dela, sentindo o calor úmido me recebendo. — Shhh. H
(POV EVELYN)— Damien? Você chegou... — murmurei com a voz arrastada, me espreguiçando devagar sobre os lençóis de seda.Ao fazer o movimento, deixei que o edredom deslizasse pelo meu corpo. Eu não estava usando nada que lembrasse o figurino branco de Alaska. Eu não era amadora. Em vez disso, eu vestia uma das camisolas de tule que comprei naquela tarde: uma peça preta, completamente transparente, que deixava a calcinha e o sutiã de renda vermelha-escura por baixo totalmente à mostra contra a minha pele.Damien travou. Os olhos dele, que antes pareciam nublados pelo cansaço e pelo álcool, dilataram no mesmo segundo. Ele fixou o olhar no contraste do vermelho e do preto contra o meu corpo. A respiração dele, que já estava pesada, cortou o silêncio do quarto como um estalo.— O que é isso, Evelyn? — a voz dele saiu áspera, grossa, carregada de uma urgência que ele tentava sufocar.— O pijama novo — respondi com inocência, sentando-me na cama. O tule preto colou nas minhas curvas, e o de
POV EVELYNEu estava terminando de guardar as novas lingeries na gaveta de seda quando ouvi o estrondo da porta de entrada. Damien tinha chegado. E ele não parecia nada feliz.Corri para a janela e vi Julian, o meu aliado jardineiro, ajudando o motorista a descarregar o restante das caixas de sapatos do porta-malas. Julian sorriu para mim lá de baixo, um brilho de diversão nos olhos verdes. Ele sabia exatamente o que eu estava fazendo. Quando Damien saiu do carro, a postura dele era a de um vulcão prestes a entrar em erupção. Ele olhou para Julian, depois para as caixas, e sibilei um "merda" baixinho.Meus pés descalços afundaram no tapete felpudo enquanto eu corria para o banheiro. Precisava estar pronta para o confronto.Minutos depois, a porta do quarto voou. Damien entrou como um furacão, jogando o paletó na poltrona e afrouxando a gravata com movimentos bruscos.— Você ficou maluca? — ele rugiu, a voz ecoando pelo teto alto. — Cinquenta mil dólares, Evelyn? Em uma tarde?Eu estav
POV EVELYNQuando entrei no quarto principal da ala oeste naquela tarde, o tamanho do espaço me impressionou, mas o que realmente me chamou a atenção foi o objeto deixado em cima da mesa de cabeceira de Damien. Um cartão de crédito preto, de metal pesado, com limite ilimitado e o sobrenome Blackwood gravado em letras douradas.Ao lado, um bilhete com a caligrafia firme dele dizia: “Compre roupas decentes. Não quero a minha esposa andando por aí como uma mendiga. – D.B.”Olhei para o cartão e dei uma risada baixa. Ele realmente achava que estava no controle. Damien queria que eu comprasse roupas "decentes"? Pois ele ia receber exatamente o que pediu, mas do meu jeito. Ele me desafiou a ser invisível no bar, a usar disfarces, e agora estava me dando a chave do cofre dele.Peguei o cartão, joguei na bolsa e saí da mansão. Chamei um táxi em vez de usar o motorista dele — eu precisava de total liberdade para as minhas compras secretas.Fui direto para a Rue de la Montagne, o coração do lux
Último capítulo