Os dias em Nova York começaram a passar de um jeito diferente para Malu.
A agenda continuava cheia demais para permitir grandes colapsos.
Chorar? Não.
Pensar demais? Também não.
Havia horários a cumprir, contratos para revisar, reuniões que precisavam começar no minuto exato.
E Malu fazia tudo isso como sempre fizera: com eficiência quase cirúrgica.
Organizava compromissos, antecipava problemas, respondia e-mails enquanto caminhava pelas calçadas geladas, o celular firme na mão, o casaco bem fechado até o pescoço.
Por fora, ninguém diria que algo estava fora do lugar.
Ela sorria quando era esperado, ria das piadas certas, comentava sobre o frio, sobre o trânsito, sobre a cidade iluminada para o Natal.
Mas, entre um compromisso e outro de Francine, era impossível não tentar colocar a cabeça no lugar.
E o coração também.
Em uma tarde especialmente fria, enquanto Francine estava em preparação para um desfile, Malu saiu sozinha até uma cafeteria próxima.
Precisava de café. Forte. Quente.