Cássio entrou no escritório de Dorian sem bater.
O terno estava passado, a barba recém-feita, o cabelo alinhado, mas nada disso conseguia esconder as olheiras profundas, e o olhar que carregava aquela mistura perigosa de culpa e urgência.
Ele não parecia o vice-presidente impecável de sempre, parecia um homem que passou dias sobrevivendo à própria cabeça.
Dorian levantou os olhos do notebook e, antes mesmo de falar qualquer coisa, entendeu.
— Pelo visto… — disse, apoiando-se na cadeira — você descobriu o que foi que aprontou.
Cássio fechou a porta atrás de si e respirou fundo.
— O que aprontaram comigo, você quer dizer. Se você soubesse o que eu descobri… — começou, andando de um lado para o outro. — Eu fui um idiota. Um idiota completo.
Dorian cruzou os braços e se recostou na cadeira.
— Senta. — ordenou, com calma. — E me conta tudo. Do começo.
Cassio sentou-se na cadeira à frente da mesa, passando a mão pelos cabelos como quem ainda tentava organizar a avalanche.
— Maya armou tudo.