O carro avançava pelas ruas de Paris em silêncio, aquele silêncio que não era confortável, mas também não era hostil.
Era apenas… cheio de coisas não ditas.
Malu mantinha os óculos escuros como uma armadura e o casaco fechado até o pescoço, mesmo não estando frio.
Era mais uma proteção emocional do que térmica.
Cassio dirigia sem dizer uma palavra, concentrado na estrada como se a vida dependesse da constância do acelerador.
O sol aparecia e desaparecia atrás das nuvens, criando pontos dourados nas fachadas antigas dos prédios.
Era uma manhã bonita, mas gentil, sem sol forte, sem vento gelado, perfeita para alguém que estava lutando contra uma ressaca e uma avalanche de vergonha.
Quando o carro entrou pela avenida lateral do Jardin du Luxembourg e estacionou, Malu finalmente abriu a boca pela primeira vez desde o café da manhã.
— Nossa… — ela sussurrou, tirando os óculos para enxergar melhor.
A entrada do jardim era imensa, com canteiros impecavelmente alinhados, flores perf