Axel Morgenstern
A manhã começou pesada antes mesmo de eu encostar o carro na garagem da Bettelgeuse.
O conversível deslizou pela rampa de concreto com um ronco baixo e controlado, o tipo de som que normalmente me trazia satisfação — precisão mecânica, engenharia impecável, domínio absoluto. Mas naquele dia não havia prazer algum ali. Desliguei o motor e fiquei sentado por alguns segundos, as mãos ainda apoiadas no volante, os olhos perdidos no vazio do estacionamento subterrâneo.
Silêncio.
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