Axel MorgensternEu gosto do silêncio depois que a porta se fecha.Não o silêncio absoluto — Nova York nunca oferece isso —, mas aquele intervalo breve em que tudo parece suspenso. O ar ainda guarda um perfume caro, uma mistura de jasmim e algo adocicado demais, que me irrita. Caminho até a janela da minha sala na Betelgeuse Technology e observo a cidade lá embaixo, viva, indiferente, pulsando como um organismo que jamais dorme.Gabrielle ficou tempo demais.Esse pensamento não vem carregado de culpa. Nunca vem. É só um dado objetivo, como números numa planilha: quando algo ultrapassa o prazo ideal, começa a perder eficiência. Pessoas, inclusive.Meu celular vibra sobre a mesa de vidro. Sei quem é antes mesmo de olhar.— Axel… — a voz dela soa macia, ensaiada para parecer vulnerável. — Você desligou na minha cara.Seguro o aparelho longe do ouvido por um segundo, inspiro fundo, conto mentalmente até três. Detesto repetições. Detesto explicações desnecessárias.— Gabrielle, o pagamento
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