O som do cristal se quebrando cortou o ar como um tiro. Por um instante, o salão inteiro silenciou, e meus olhos foram direto para ela.
A taça havia estilhaçado na mão da Eliza, o champanhe dourado escorria pelo vestido… mas não era só isso. O vermelho vivo começou a se misturar, se espalhando em manchas grotescas no tecido caro. Sangue.
Meus músculos reagiram antes mesmo que eu pudesse pensar. Um passo à frente, depois outro — instinto puro. Mas Sophie foi mais rápida. Agarrou o pulso dela, enrolou um lenço, e em segundos já a arrastava para fora do salão como se tivesse ensaiado aquilo a vida inteira.
Eu fiquei ali. Parado. Vendo o sangue dela marcar não só o vestido, mas algo dentro de mim.
Não era a primeira vez que eu a via ferida, e mesmo assim, aquela imagem me atingiu de um jeito diferente. Porque eu sabia que aquele corte não vinha apenas do cristal. Eu a tinha levado a esse ponto. Eu.
Os olhares se voltaram para mim, esperando uma reação. Alguns acionistas, curiosos, mal dis