Do outro lado do salão, eu observava Eliza. Ela se afastava com Sophie, erguendo o queixo como se estivesse no controle absoluto. Mas eu a conhecia bem demais para acreditar nessa pose. Seus olhos, antes de se virar, tinham se fixado em Amelie por tempo demais.
Era ciúmes. Claro que era.
Sorri de canto, quase rindo do óbvio. Eliza podia ser brilhante, estratégica, fria diante dos outros… mas quando se tratava de mim, ela sempre deixava escapar a verdade. Aquela tensão no olhar, a maneira como endurecia a postura só de ver Amelie perto de mim.
E isso, eu confesso, me dava um prazer doentio.
Não que eu tivesse algo com Amelie. Ela era doce, ingênua até demais para o mundo em que estava se metendo. Mas a proximidade dela era útil porque nada mexia mais com Eliza do que imaginar outra mulher ao meu lado.
E eu podia ver isso no olhar dela. Ela não precisava dizer nada — bastava a maneira como endurecia o maxilar, como erguia o queixo, como desviava os olhos rápido demais quando A