A noite em volta da rodoviária era um organismo diferente. Se a Lapa era um poço estagnado de desespero, a rodoviária era um rio de ansiedade. Um fluxo constante de chegadas e partidas, de abraços de despedida e olhares de reencontro. Para cada pessoa que chegava em busca de um sonho, outras cinco partiam com ele estilhaçado na bagagem. Era um lugar de transição, um purgatório de concreto onde o destino de muitos era selado com a compra de uma passagem de ônibus.
Gabriel chegou a pé, movendo-se