A noite na Lapa tinha um cheiro próprio. Era uma mistura densa de fumaça de diesel, fritura barata e o odor adocicado de lixo acumulado nas calçadas. Para Gabriel, era o cheiro de casa. Ou, pelo menos, o mais próximo de um que ele já tivera. Enquanto o táxi o deixava a três quarteirões do Hotel Estrela Cadente, ele sentiu a transição em sua pele. O ar parecia mais pesado, as sombras mais longas, e os olhares das pessoas na rua tinham um peso diferente. Ninguém ali estava passeando. Todos estava