Mundo ficciónIniciar sesiónO telefone tocou tarde — tarde demais para ser trabalho.
Eu estava na sala recolhendo as almofadas quando ouvi.Guilherme olhou para a tela, indeciso, e atendeu.— Fala.Silêncio do outro lado. Depois, a voz dela.— Eu estava pensando em você.Ele fechou os olhos. Não era desejo, nem saudade. Era um cansaço antigo.— Não liga mais pra cá depois desse horário.— Você nunca reclamou antes.— Antes era outra vida.Ela deu uma risada baixa, perigosa.— Então deixa eu te mostrar que pode ser melhor.Ele desligou.Ficou ali, com o celular na mão, como quem segura algo que queima. Quando percebeu que eu estava na porta, tentou parecer natural.— Tudo certo?— Nem sempre — respondi. — Mas a gente aprende a dormir mesmo assim.Ele sorriu, cansado.— Boa noite, Olivia.Subi. Mas não dormi tão rápido. A casa estava quieta, porém inquieta por dentro — e eu sentia que algo estava prestes a sair do lugar.Dois dias depois






