Rogério entrou no quarto como quem retorna do trabalho.
Tranquilo demais.
Seguro demais.
O simples som da porta se abrindo fez meu corpo inteiro se enrijecer. O olhar dele não era de carinho, nem de euforia. Era fome. Uma fome doentia, silenciosa, que me atravessou como um aviso.
Ele largou a sacola no chão, passou a mão pelo cabelo, respirou fundo.
— Voltei, meu amor.
Meu coração disparou com tanta força que pensei que ele pudesse ouvir.
— Fica quieta — disse, aproximando-se. — Não estraga tud