A entrevista aconteceu numa noite de terça.
Catarina avisou antes:
“Vai ao ar às oito. Preparem-se.”
Nós nos reunimos na sala — eu, Guilherme, Renata, Eduardo, Dona Mirtes, Seu Sebastião.
As crianças ficaram no andar de cima, com filme e pipoca. Longe. Protegidas.
A vinheta terminou.
A câmera abriu.
Bárbara apareceu com expressão de vítima: maquiagem leve, voz controlada, mãos entrelaçadas.
E, ao lado dela, Paulo.
Postura séria. Olhar estudado.
O apresentador não demorou:
— Há rumores sobre manipulação emocional, abandono e crise familiar envolvendo um empresário muito conhecido da cidade. Vocês decidiram falar. Por quê?
Bárbara respirou fundo, como quem carrega dor.
— Porque eu acredito no amor — disse — e acredito que a verdade precisa ser dita… mesmo quando machuca.
Paulo complementou:
— Alguém precisa defender quem não pode se defender.
Eu senti um arrepio.
Eles começaram a construir a história.
Vitória virou “mulher incompreendida”.
Guilherme virou “marido ausente, frio, obcecado