Foi numa tarde estranha — nem pesada, nem leve.
A casa estava silenciosa; as crianças estudavam, Guilherme falava ao telefone no escritório, e eu ajudava Sofia com uma redação sobre “lugar seguro”.
— O meu é aqui — ela disse, sem hesitar. — Mas eu não vou escrever isso.
— Por quê? — perguntei.
— Porque tem gente que gosta de estragar o que é da gente.
Palavras de criança. Verdade de adulto.
Eduardo chegou perto do entardecer.
Trazia pastas — e aquele olhar que mistura amizade com preocupação.
— Precisamos conversar — disse, chamando eu e Guilherme.
Sentamos na sala. Renata ficou por perto, escutando sem interromper.
Eduardo respirou fundo — como quem sabe que vai dizer algo impopular.
— Vocês estão bem — começou. — Felizes. Com a casa organizada, vínculos fortes, rotina funcionando.
— Pausa. — E é exatamente por isso que eu preciso falar de… proteção jurídica.
Guilherme ergueu as sobrancelhas.
— Proteção contra quem?
— Contra o mundo — respondeu. — Contra fofoca, contra gente mal-inte