Quando Catarina desligou, fiquei parada no meio do quarto, o telefone nas mãos.
“Grávida.” A palavra ecoava — não como começo, mas como ameaça.
Eu não chorei.
Não gritei.
Só senti um frio subir pelas costas — aquela sensação de que alguém moveu as peças sem você saber.
Desci as escadas. Guilherme estava na sala com as crianças, ajudando Pedro a montar um quebra-cabeça e ouvindo Sofia ler um texto.
Ele parecia… bem.
E eu sabia que, em alguns minutos, não estaria mais.
Esperei as crianças irem ao quintal. Então falei:
— A Catarina ligou.
Ele ergueu os olhos — atento.
— Aconteceu algo?
— A Bárbara disse… que está grávida.
Silêncio.
Ele piscou uma vez. Outra. Depois, deixou o ar sair vagarosamente — como quem não quer permitir o pânico.
— Ela falou com você?
— Ainda não. Disse à Catarina. E disse… que vai falar com você.
Ele passou a mão pelos cabelos.
— É cedo demais para acreditar — murmurou. — Mas cedo demais para descartar.
Eu assenti. Era honesto — e doeu porque era honesto.
— Vamos