Mundo de ficçãoIniciar sessãoAntes do silêncio, havia dor. Havia desejo. Havia ele. Maeve Jhosef não esperava sobreviver àquela noite — muito menos sentir algo por quem menos deveria. Marcada por um passado que insiste em sangrar, ela se vê presa entre lembranças que queimam e olhos que a despem, revelando segredos que jamais deveriam ser descobertos. Ele é o irmão do amor da sua vida. E o toque dele carrega tudo o que ela jurou evitar: tentação, perigo... e consolo. Mas algumas verdades dormem fundo — e quando despertam, cobram seu preço. Porque amar alguém antes que a verdade venha à tona pode ser o erro mais doce... e mais fatal.
Ler maisEpílogo – Anos depoisMaeve JhosefA vida acontece nas frestas.Não nos grandes gestos, nem nas palavras épicas que esperávamos dizer quando tudo passasse. A vida se esconde entre o vapor do café subindo pela manhã e o som leve da respiração de quem dorme ao nosso lado. Ela existe quando ninguém mais está olhando — quando o mundo desacelera o suficiente para que possamos ouvir o que está por trás do ruído.A vida acontece quando estamos distraídos.Quando as mãos se tocam sob a mesa da cozinha e o riso escapa sem que percebamos.Quando o medo já não dita o ritmo dos passos, e o amor, mesmo sem alarde, encontra lugar.Hoje, a casa cheira a lavanda e pão recém-assado.Noah Ezra corre pelo jardim com os pés descalços e o cabelo rebelde como os sonhos que cultiva. O avião de madeira — aquele que Isaac esculpiu numa madrugada silenciosa, entre o passado e a insônia — voa entre suas mãos como se tivesse vida própria.Ele ri.Um riso cheio, claro, que explode no ar como uma promessa quebrada
Capítulo 64 – Maeve Jhosef "O amor verdadeiro não grita. Ele sussurra entre as dores, floresce no meio da ruína e permanece mesmo quando tudo o mais se vai." O dia amanheceu com um silêncio raro. O tipo de silêncio que não fere, mas embala. Que não pesa, mas acolhe. O vento dançava entre as folhas do jardim dos meus pais como uma bênção antiga, e as flores - ah, as flores... - pareciam mais vivas do que nunca. Talvez soubessem que estavam testemunhando algo que vai muito além de um simples "sim". Eu ainda me lembrava de tudo que perdemos. Ainda carregava os fantasmas. Mas, naquele dia, vesti meu vestido leve como quem veste uma nova pele. A pele da mulher que sobreviveu. Que amou e foi amada. Que caiu e levantou, mais de uma vez. Zola ajeitou meu cabelo com lágrimas nos olhos. Amanda não parava de sorrir. Minha mãe, ao me ver pronta, levou as mãos à boca e chorou como se me visse nascer de novo. E talvez visse. Quando caminhei pelo jardim, meus olhos só encontraram os
Capítulo 63 – Isaac Aubinngétorix “Alguns amores não fazem barulho. Eles apenas acontecem — como a respiração, como o tempo, como um milagre que ninguém ousa nomear.” Dois meses se passaram. Rápidos, intensos e suaves ao mesmo tempo. Como se a vida, cansada de tanto nos testar, estivesse finalmente nos concedendo trégua. Maeve agora caminhava com as mãos quase sempre sobre a barriga — um gesto instintivo, como se estivesse sempre protegendo o mundo inteiro. E talvez estivesse. Ali, dentro dela, pulsava uma nova vida. Nosso filho. Nosso começo. Havia um tipo de poesia em vê-la assim, todos os dias um pouco mais redonda, mais delicada, mais forte. Como se estivesse se transformando diante dos meus olhos, e ao mesmo tempo permanecesse ela mesma: selvagem, silenciosa, intensa. ** Decidimos nos casar no jardim dos pais dela. Nada grandioso. Sem listas de convidados intermináveis. Sem fotógrafos escondidos atrás de árvores. Apenas flores. Apenas o essencial. Apenas o que
Maeve Jhosef Quando decidimos passar o resto da vida ao lado de alguém, não imaginamos que o “para sempre” venha carregado de reticências, silêncios e medos. Ainda mais quando essa escolha acontece depois da dor. Depois da morte. Eu e Isaac somos dois sobreviventes — do luto, da culpa, daquilo que nunca dissemos. Mas, de alguma forma, entre as ruínas de tudo o que perdemos, encontramos algo novo. Algo pequeno… que agora cresce dentro de mim. Olho meu reflexo no espelho. Minha mão repousa sobre a curva sutil que desponta em meu ventre. Ainda não é visível aos olhos apressados, mas eu a vejo. Eu o sinto. É nosso filho. O primeiro traço visível do amor que resistiu ao caos. Hoje será a primeira vez que o veremos. O som do seu coração, suas pequenas pernas talvez chutando de leve, sua existência pulsando em preto e branco na tela de um consultório. Um grão de esperança que já virou universo inteiro dentro de mim. Respiro fundo. Tento conter a emoção, mas ela me transborda mesmo quand





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