Quando eles saem da sala, Ariana ainda está com a camisa larga dele, a cueca-boxer improvisada como short e os cabelos levemente úmidos do banho. Samuel pega a chave da moto primeiro — por impulso — mas para no meio do caminho, pensa, e muda de direção. Abre a gaveta, pega outra chave.
Ariana franze o cenho.
— Não vamos de moto? — pergunta, abraçando o próprio corpo, um pouco envergonhada com a roupa emprestada.
Samuel lança um olhar rápido, cúmplice.
— Está tarde, Ari. E ventando muito. Você vai congelar e eu não quero você passando frio agarrada em mim só por obrigação.
Pisca. — Melhor ir de carro.
O carro combina com ele: um esportivo baixo, elegante, interior de couro preto, painel iluminado suavemente. O tipo de carro que parece ronronar em vez de roncar.
Eles entram.
Cintos.
Motor ligado.
E silêncio.
Um silêncio cheio de tudo o que aconteceu — e do que não aconteceu — naquela noite. Ariana olha a cidade deslizando pela janela, as luzes refletindo nos olhos. Samuel dirige concent