Ariana não dormiu.Não pregou um único minuto.O colchão rangia, o ar-condicionado fazia um barulho irregular, e o calor úmido se infiltrava pelos lençóis como uma memória antiga. Mas nada disso era o real motivo.Era Carapá.O cheiro, o som, as lembranças roçando nela como folhas contra a pele.Às cinco e meia, quando o céu apenas começava a clarear, ela desistiu.Vestiu um short, uma blusa leve e saiu sem fazer ruído — Lívia dormia como quem estivesse em coma clínico. O resto da equipe provavelmente só acordaria perto das oito.Lá fora, a cidade ainda despertava devagar.Carapá ao amanhecer era mágica.O cheiro de terra molhada.O canto das ararinhas.A névoa fina sobre o rio, como um véu.E o sol nascendo lento, dourando as casinhas de madeira.Ariana caminhou pelas ruas estreitas, tentando reconhecer o que era igual e o que havia mudado.Passou pela casa onde morou, hoje com outra pintura, outro portão.Mas, ainda assim, era a mesma varanda onde ela, a irmã Julia e a mãe riam enqu
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