Helena
O escuro tem peso.
Não é apenas a ausência de luz, é uma presença opressora, densa, que se cola à pele de Helena como uma segunda camada. O chão sob seus pés é áspero, irregular. O ar cheira a ferrugem, poeira e óleo velho. Cada inspiração exige esforço, como se seus pulmões precisassem lutar para se manterem funcionando.
Ela não sabe há quanto tempo está ali.
Minutos? Horas?
O tempo deixou de existir no instante em que foi arrancada do carro, jogada naquele lugar e deixada sozinha, vendada, amarrada. Seu corpo dói de forma difusa, não por um golpe específico, mas pela tensão constante, pelo medo que não dá descanso.
Helena respira devagar, tentando não entrar em pânico. O coração bate alto demais, denunciando seu terror. Ela força a mente a se manter lúcida, a não se entregar ao caos.
Pensa em Desirée.
É automático. Como se o nome fosse um talismã, uma âncora. Ela se agarra à imagem do rosto dela, do sorriso contido, da força silenciosa que sempre carregou. Repete mentalmente