Desirée
A delegacia está tomada por vozes sobrepostas, passos apressados, rádios chiando e telefones que não param de tocar. É um caos organizado, um organismo vivo em constante movimento. Mas nada disso realmente me alcança. É como se eu estivesse presa dentro de um túnel estreito e escuro, onde só existe um único som possível: o do meu próprio coração, batendo rápido demais, forte demais, como se tentasse fugir do meu peito.
Cada batida dói.
Entro atrás dos dois policiais que atenderam minha ligação, minhas botas ecoando no chão frio, polido demais para um lugar onde tantas vidas se despedaçam todos os dias. Não durmo desde ontem. Não como. Não penso com clareza. Minha cabeça pulsa, minha boca está seca, minhas mãos tremem levemente. Ainda assim, cada célula do meu corpo está alinhada com um único objetivo, um único nome que se repete dentro de mim como um mantra desesperado.
Helena.
Eu deveria estar com ela.
Eu deveria tê-la seguido.
Eu deveria ter insistido.
Eu deveria ter impedid