Capítulo 3

Mih Wide Mendes

Na manhã seguinte, despertei e logo percebi que não sentia o corpo do meu marido ao meu lado na cama de casal. Dei um longo suspiro de alívio. Eu estava exausta; não tinha conseguido dormir a noite inteira com medo do que Gabriel pudesse fazer comigo enquanto eu estivesse vulnerável.

Ainda tensa, levantei-me e comecei a me arrumar para ir à escola de teatro. Quando terminei de me vestir, desci devagar a grande escadaria de mármore. Ao chegar perto da copa, parei abruptamente, surpresa com a cena.

Meu marido estava arrumando a mesa do café da manhã vestindo apenas uma calça de moletom cinza, sem camisa. A visão me deixou sem fôlego. O corpo dele era incrivelmente definido e musculoso; com certeza os deuses não chegavam aos pés daquela beleza. Os cabelos loiros dele estavam levemente bagunçados pelo sono e os olhos verdes pareciam ainda mais brilhantes sob a luz matinal. Ele parecia um modelo saído diretamente de uma capa de revista — o que fazia sentido, já que ele era um ator mundialmente famoso.

Percebendo que eu estava paralisada admirando o seu corpo, Gabriel virou-se devagar e abriu um sorriso largo.

— Bom dia, meu amor — disse ele.

— Amor? — perguntei, incrédula com a intimidade repentina que ele exibia.

— Vamos tomar o café da manhã — ele continuou com um sorriso leve nos lábios, ignorando meu tom defensivo.

— Bom dia, mamãe! — assustei-me ao escutar uma voz infantil e doce bem atrás de mim.

Dei um sobressalto. *O que era aquilo?* Olhei para trás e vi um garotinho de aproximadamente três anos de idade. Será que eu tinha dormido tanto que só havia acordado três anos depois?

Mas, olhando bem para o menino, ele não se parecia em absolutamente nada comigo ou com o Gabriel. Ele tinha cabelos pretos, grandes olhos castanhos e bochechas extremamente fofas.

— Noah, venha tomar o seu café da manhã — chamou Gabriel com total naturalidade. Em seguida, olhando para o meu rosto em transe, ele explicou: — Mih, este é o Noah. Ele é meu filho.

Minha mente deu um nó. *Filho?* Isso significava que eu agora era madrasta daquela criança? Meu Deus, o que eu fiz para merecer esse castigo logo de manhã?

— Eu... — Gabriel tentou falar algo mais para explicar a situação, mas foi prontamente interrompido pela vozinha triste da criança.

— Papai... a mamãe não gosta de mim? — o pequeno Noah perguntou, com os olhinhos castanhos marejando enquanto olhava para mim.

— Não, campeão. Ela só está em choque — respondeu Gabriel com paciência, servindo uma tigela de cereais com leite para ele.

Sentei-me à mesa e tentei me concentrar no meu prato. No entanto, era muito difícil comer enquanto aquela criança fofa e o olhar intenso de Gabriel me observavam a cada segundo. Assim que terminei, levantei-me apressada e levei o prato para lavar na pia, ansiosa para escapar daquela cozinha.

— Você vai sair? — a voz de Gabriel ecoou atrás de mim, me avaliando de cima a baixo.

— Sim — respondi de forma curta, sem dar detalhes.

— Onde você vai? Eu posso te levar — ele disse, já se levantando da mesa.

— Não se preocupe. Meu chofer vai me levar — rebati, querendo desesperadamente um pouco de espaço longe dele.

A expressão de Gabriel mudou na hora, assumindo uma seriedade impositiva.

— Mih, nós somos casados agora. E, para o seu próprio governo, o divórcio não é uma opção para nós — ele disse, algo que eu infelizmente sabia muito bem. — Nós devíamos passar mais tempo juntos para nos conhecermos melhor. Pensei que você entendia isso depois do que aconteceu ontem à noite.

Apertei as mãos contra o tecido da calça, tentando não demonstrar o quanto aquela presença possessiva me intimidava.

— Tudo bem. Você está certo — respondi de forma submissa, evitando contato visual.

— Ótimo. Espere alguns minutos, vou me trocar e nós vamos juntos — ele disse, abrindo um sorriso vitorioso e subindo as escadas em direção ao nosso quarto.

Assim que ele entrou e fechou a porta, não pensei duas vezes. Peguei minha mochila, saí correndo da casa de praia e ordenei ao meu chofer que me levasse imediatamente para a escola. Eu precisava fugir daquele controle sufocante.

Minutos depois, o carro me deixou no campus. Suspirei aliviada por estar longe de Gabriel. No pátio de entrada, avistei Sophia e Mateus, meus melhores amigos, que já estavam à minha espera.

— Oi, Mih! — Sophia cumprimentou animada.

Caminhamos juntos em direção à sala de aula de teatro. Sentamo-nos em nossos lugares habituais e esperamos o professor começar a aula.

Embora o meu casamento com Gabriel tivesse sido espalhado por toda a internet e pelos jornais como o casamento do ano, ninguém de fato sabia quem era a noiva. A mídia só noticiava que um grande astro de trinta e nove anos havia se casado com uma grande herdeira cinematográfica de dezoito. Como meus pais sempre me mantiveram escondida dos holofotes para preservar minha privacidade, nenhum dos meus colegas na escola de teatro fazia ideia de que eu era a garota misteriosa da notícia.

O sinal tocou. No entanto, em vez do nosso professor habitual de teatro entrar pela porta, quem cruzou o batente foi uma pessoa totalmente diferente. Uma figura extremamente alta, imponente e dona de um par de olhos verdes muito conhecidos.

Meu coração despencou no estômago. Era o meu marido.

— Olá a todos — a voz profunda de Gabriel preencheu o auditório com uma autoridade inquestionável enquanto o olhar dele travava diretamente no meu. — Meu nome é Gabriel Mendes. A partir de hoje, serei o vosso novo professor de teatro.

Como ele era um ator de renome mundial, a sala de aula foi tomada pelo caos instantâneo. Alunos começaram a murmurar e a suspirar de surpresa ao reconhecerem o astro da TV bem ali na nossa frente.

— Por favor, acalmem-se — pediu Gabriel com aquele carisma profissional, levantando levemente as mãos para acalmar a turma.

Ao meu lado, Sophia agarrou meu braço com força, completamente eufórica e de olhos arregalados.

— Meu Deus, Mih! — ela sussurrou, sem fôlego. — O Gabriel Mendes é ainda mais gato pessoalmente do que na TV ou nas fotos!

Apertei os punhos sob a mesa, sentindo um suor frio escorrer pelo meu pescoço. O homem de quem eu acabara de fugir em casa agora era o responsável por avaliar cada passo meu na escola de teatro.

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