Capítulo 2

Gabriel Mendes

— Sua neta é linda, Antônio — disse meu pai, Lorenzo, enquanto olhávamos para o bebê recém-nascido no berço do hospital.

— É, mesmo — Antônio respondeu com um sorriso orgulhoso.

Meu pai cruzou os braços, olhando para o amigo de infância.

— Nós somos amigos desde a infância. O que acha de finalmente nos tornarmos família?

— O que você quer dizer com isso? — o senhor Antônio perguntou.

— Estou falando sobre sua neta se casar com alguém da minha família.

— Mas que ideia maravilhosa! — disse o senhor Antônio, sorrindo. — O que achas da minha querida princesa Mih se casar assim que fizer dezoito anos com o teu filho Gabriel?

— O qu... — tentei interromper, mas meu pai me cortou.

— Mas que maravilha!

— Esperem. Eu já tenho vinte e um anos, já sou adulto. E ela... bom, ainda é um bebê. Vocês não podem me prometer a uma criança que nasceu na semana passada! — tentei argumentar, desesperado.

— É por isso que vocês vão se casar apenas quando ela fizer dezoito anos — meu pai respondeu, irredutível. — Agora, gostaria de segurar sua futura esposa? — ele perguntou, pegando a pequena Mih e me entregando.

Segurei o bebê fofinho nos braços, assustado com a fragilidade dela.

— Olha, eles ficam tão bem juntos — disseram os dois, nos olhando com satisfação.

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### Anos Atuais

Finalmente hoje é o dia que todos estavam à espera. Eu só não sabia se ela também estava esperando por esse dia com o mesmo anseio.

— Gabriel, a gente vai se atrasar! — minha mãe, Giulia, disse tentando me apressar no quarto.

— Nossa, como meu irmão está lindo. Está parecendo um ator de cinema... ops, você é um ator de cinema — brincou minha irmã, Clara, entrando com Noah no colo.

— Ha, ha, ha. Isso foi muito engraçado — respondi com sarcasmo. Eu tentava atar o nó da minha gravata, mas minhas mãos tremiam de puro nervosismo.

— Se acalma, Gabriel — minha mãe disse, assumindo a tarefa e ajeitando minha gola.

— E se ela não gostar de mim? Ou pior, e se ela não aparecer? — perguntei, pensando no pior cenário.

— Isso não vai acontecer, pare de pensar nisso — ralhou minha mãe.

— A senhora sabe muito bem que ela nunca aceitou me ver enquanto crescia. Ela devolveu todos os presentes que mandei nos aniversários dela. Desde os oito anos, ela rejeitou me conhecer em diversas oportunidades.

Respirei fundo, sentindo um aperto no peito, e olhei para o garotinho no colo de Clara.

— Mãe... você acha que ela vai aceitar o Noah? — perguntei, com medo de que ela o rejeitasse.

— Você deveria ter pensado nisso antes de ter adotado aquela criança — minha mãe respondeu. Minha família não tinha gostado da adoção repentina.

Eu conheci o Noah, de apenas três anos, quando fui fazer doações em um orfanato. Apaixonei-me por ele na hora e o adotei.

— Não tem como não gostar, olha como ele é fofo — Clara defendeu, mimando o pequeno.

— Sim, mas você deveria ter falado com ela antes — insistiu minha mãe.

Peguei o Noah no colo, sentindo o calor do meu filho.

— E como eu falaria com ela se ela se recusava a manter qualquer contato comigo? — perguntei. Eu parecia um adolescente apaixonado e inseguro, com medo de ser rejeitado.

— Gabriel, você é meu filho mais velho e nunca me deu trabalho. Tenho certeza de que no começo o casamento não será um mar de rosas, mas você fará o que for preciso para que vocês três sejam uma família linda e cheia de amor — minha mãe disse, devolvendo-me a esperança.

— Onde está o Miguel? Ele será meu padrinho — perguntei, preparando-me para sair.

— Ele vai no mesmo carro com a sua irmã — meu pai avisou, me apressando.

Minutos depois, estávamos na propriedade da família Wilde. Meu pai foi saudar o senhor Antônio enquanto eu esperava ansioso no pé das escadas. Quando a vi descer, meu mundo parou. Ela era simplesmente linda. Loira como eu, mas com olhos azuis como o mar cristalino. Ela estava encantadora; eu não conseguia tirar os olhos dela.

— Agora entendo por que os magnatas do cinema escondiam a filha. Ela é maravilhosa — Miguel sussurrou no meu ouvido.

— Sim, ela é linda demais — respondi. Vê-la descer parecia uma cena em câmera lenta. Aquela bebezinha de dezoito anos atrás agora era uma mulher deslumbrante.

— Gabriel, te entrego agora a mão da minha filha — disse o senhor Marcos Wilde assim que chegaram ao final dos degraus. — Cuide bem dela, ela é minha única filha.

Segurei a mão pequena de Mih e a beijei.

— Não se preocupe, senhor Wilde. Cuidarei muito bem dela. Você está linda — sussurrei para ela enquanto caminhávamos para o altar.

— Obrigada — ela respondeu baixinho.

Durante a cerimônia, mal ouvi o que o celebrante dizia. Só pensava nela.

— Gabriel Mendes, você aceita Mih Wilde como sua esposa?

— Sim, aceito — respondi prontamente.

Quando o celebrante perguntou a Mih, ela ficou em silêncio, parecendo perdida. Apertei a mão dela com carinho.

— Ah? — ela perguntou, voltando à realidade.

Após a pergunta ser repetida, ela finalmente disse:

— Sim.

Soltei um suspiro de alívio que nem sabia que guardava. Trocamos as alianças e chegou a hora do beijo. Eu esperei tanto por isso. Segurei sua cintura e sua nuca, puxando-a para mim, e provei de seus lábios saborosos em um beijo cheio de desejo. Nos separamos sob aplausos, o que me irritou por interromper o momento.

Na festa no jardim, Mih se afastou de mim o tempo todo. Incomodado, chamei minha mãe em um canto.

— O que foi, Gabriel?

— É a Mih. Ela está se distanciando, não quer ficar no mesmo lugar que eu.

Minha mãe riu baixinho.

— Dê espaço para ela. Vá com calma.

Decidi agir. Fui até Miguel.

— Você trouxe?

— Sim, só esperando seu sinal — ele disse.

Aproximei-me de Mih, que estava sentada, e me ajoelhei diante dela sob os flashes dos jornalistas. Miguel me entregou a caixa. Lá dentro estava a joia única que comprei em um leilão pensando nela.

— Queria te oferecer um presente de casamento único. Espero que goste — disse me levantando e colocando o luxuoso colar em seu pescoço.

— Obrigado — ela murmurou.

Sorri de lado e a puxei para uma dança. Logo percebi que os pés dela doíam por conta dos saltos. Cuidadoso, a levei até a mesa de Miguel.

— Mih, esse é o Miguel, meu amigo.

— Muito prazer — ela disse de forma educada.

Nossos sogros se levantaram logo em seguida, chamando a atenção de todos.

— Já que meu genro deu seu presente à minha princesinha — disse meu sogro —, nós temos um presente para vocês dois! O nosso presente é uma mansão à beira-mar! Minha princesinha sempre quis uma casa de frente para o mar, agora terá.

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Mais tarde, entramos na nova casa. Para minha surpresa, o hall estava decorado com fotos nossas: imagens da minha vida, da infância de Mih e uma foto minha aos vinte e um anos segurando ela bebê no colo.

Virei-me para ela, notando seu silêncio.

— Você gostaria de ir descansar agora?

Imediatamente, vi a expressão dela mudar para pânico e desconforto absoluto. Senti uma pontada de frustração, mas decidi recuar.

— Vou te dar espaço — disse, deixando-a subir primeiro.

Minutos depois, entrei no quarto. Vi que ela fingia dormir na imensa cama, o corpo completamente rígido. Dei um suspiro baixo. Tirei minhas roupas, tomei um banho rápido e voltei vestindo apenas um roupão. Deitei-me ao seu lado na cama. Sentindo a tensão dela, murmurei suavemente perto de seu ouvido:

— Eu não vou tocar em você, Mih. Não se você não quiser.

Ela não me respondeu, mas senti o alívio em seu corpo. Suspirei baixinho e fechei os olhos, ciente de que teria uma longa batalha para conquistar minha esposa.

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